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"Povo angolano é parcialmente cúmplice"

Ativista acredita que os atentados à liberdade de expressão podem continuar mesmo após a saída ou morte de José Eduardo dos Santos.
Por Leonardo Ralha|16.10.16
"Povo angolano é parcialmente cúmplice"
Domingos da Cruz, de 32 anos, considera que Angola é uma ditadura Foto Direitos Reservados
Acredita que tudo lhe pode acontecer, incluindo ser assassinado, tal como defende que Angola não é uma democracia. O jornalista, investigador e professor universitário Domingos da Cruz, que vem a Portugal esta semana lançar o seu novo livro, ‘Angola Amordaçada’, sabe do que fala, pois foi um dos 17 ativistas presos e condenados – e mais tarde amnistiados – por crimes de rebelião e associação de malfeitores. Tudo porque estavam a ler a obra anterior de Domingos, ‘Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura: Filosofia Política da Libertação para Angola’.

Denunciar os ataques à imprensa e à liberdade de expressão em ‘Angola Amordaçada’ é o tipo de estratégia de resistência pacífica que descreveu no livro anterior, ‘Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura: Filosofia Política da Libertação para Angola’?
Entendo profundamente que é possível conciliar o engajamento cívico e as atividades acima expressas. Como exemplo, cito Jean-Paul Sartre, Noam Chomsky, Boaventura de Sousa Santos, Paulo Freire, Tariq Ali, Wole Soyinka, Frantz Fanon, entre outros. Ao mesmo tempo que me dedico à investigação, tento conciliar com a promoção e elevação da dignidade humana; tento fazer uma ciência que seja capaz de transformar a sociedade. Aliás, se o labor científico não catalisar mudanças para vidas individuais e coletivas melhores, não é ciência. Sendo certo que a ciência deve ser contextual e universal, deve propor soluções aos mais variados problemas. O contexto de Angola é de tirania, logo, ‘Angola Amordaçada’ é, de facto, o uso e a concretização de algumas das técnicas pacíficas de luta não violenta contra a opressão. Escrever livros enquadra-se nas técnicas números 9 e 122, das subcategorias da persuasão não--violenta e não cooperação política. Não podemos esquecer que existem 198 técnicas de luta não violenta.

Teme que também ‘Angola Amordaçada’ possa contribuir para que volte a ser detido e acusado de novos crimes contra a segurança do Estado?
A única lógica procedimental de um Estado autoritário, é a não lógica de Estado. Ou seja, prevalece uma espécie de vontade universal arbitrária do tirano. Sendo assim, é razoável inferir que tudo pode acontecer, incluindo um assassinato. O que acabo de afirmar não constitui qualquer fertilidade romanesca. Existem provas históricas e recentes bastantes de que aquele que detém o monopólio do uso da violência, riscou o império da lei para fazer reinar a sua vontade, somando assassínios.

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