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“Recebíamos sacos, com a cabeça e a identificação"

Tirei o curso de mecânico, mas acabei a pilotar helicópteros para fazer reabastecimento e resgatar feridos e mortos.
17.09.17
“Recebíamos sacos, com a cabeça e a identificação"
Carlos Nunes passou por momentos complicados em Moçambique

Era o verão de 1972. Sem que esperasse, fui mobilizado para Moçambique, com 22 aninhos feitos. Cheguei a África em outubro desse mesmo ano, depois de ter passado pela base aérea da Ota, em Alenquer, onde tirei o curso de mecânico de aviões. Quando cheguei, encontrei um país completamente diferente daquele de onde vinha, que comecei logo por gostar: Beira, Nacala e Nampula, para onde fui destacado para pilotar helicópteros.

Fui para Mueda, a chamada ‘terra da guerra’, pois era ali que ela tinha praticamente começado. Assim que lá cheguei, deparei-me com um escrito num placard: "Aqui vive-se, trabalha-se e morre-se". Uma espécie de cartão de visita que punha de sobreaviso, o mais incrédulo que chegava. Passámos o Natal e Passagem de Ano naquele buraco. Trinta ou quarenta homens, longe das suas famílias. Foi a primeira nota negativa, pois não se podia dizer que fosse propriamente uma alegria estar longe das nossas terras. Mas, pelo menos, tivemos sorte: não apanhámos nenhuma morteirada.

A primeira missão em Allotte III foi a Mocima do Rovuma. Dois ‘helis’, muita chuva torrencial e oito ou nove homens dos GE (grupos especiais de tropas), todos esfrangalhados, para resgatar.

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