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Sabe porque lhe dói o pescoço?

Comece por avaliar quanto tempo passa a olhar para o seu telemóvel. Especialistas explicam o que é um ‘pescoço SMS’.
Por José Carlos Marques|31.01.16
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Sabe porque lhe dói o pescoço?
As dores podem resultar de movimentos repetidos de inclinação da cabeça Foto Thinkstock Photos

Se tem um smartphone, saberá certamente o que é o WhatsApp, a mais popular aplicação para troca de mensagens gratuitas entre utilizadores. Mas talvez só uma pequena minoria saiba o que é a WhatsAppitis. Trata-se de uma expressão cunhada por uma médica espanhola, que publicou um texto científico em 2014 na prestigiada revista científica ‘The Lancet’ sobre esta forma de lesão muscular. A forma como a médica Inés Fernandez-Guerrero chegou ao original diagnóstico merece ser contada. A clínica trabalha nas Urgências do Hospital Universitário de Sevilha. Logo a seguir ao Natal, deparou-se com o caso de uma colega, de 34 anos e grávida na altura, que acordou com dores horríveis nos pulsos e nos polegares. Mal conseguia mexer as mãos. Não tinha feito esforços nos dias anteriores e o seu passado clínico não incluía qualquer lesão traumática. Ao interrogá-la sobre as tarefas que havia desempenhado, Inés percebeu que a colega tinha trabalhado na véspera de Natal. No dia seguinte, resolveu responder a todas as mensagens que tinha pendentes no WhatsApp – foram seis horas a segurar um telefone de 130 g nas mãos, usando os dois polegares para dar seguimento às conversas online. Resultado, um severo caso de tendinite em cada um dos braços, afetando a mão, o pulso e, claro, os polegares. E assim a WhatsAppitis tomou o lugar da Nintendinitis, expressão que surgiu no início dos anos 1990, quando a febre das consolas de jogos levou aos bancos de Urgências milhares de jogadores de todo o Mundo que tinham passado demasiadas horas a segurar comandos operados com os polegares.

ORIGEM SURPREENDE

A médica fisiatra Maria João Andrade, chefe de serviço do Hospital de Santo António e professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, não se espanta com estas designações. Há muito que lhe chegam pacientes a queixar-se de dores terríveis na coluna ou nos braços. Mas o mais curioso é que ficam, invariavelmente, perplexos quando lhes dizem que a origem das dores é a posição que assumem quando olham para o telefone e a repetição exaustiva dos gestos que usam para controlar o equipamento. "É engraçado que estou sempre a alertar os meus alunos de Medicina para as más posições que têm e, mesmo eles que deviam estar mais informados, ficam espantados". A especialista conta que o que acontece nestes casos é que surgem "lesões de sobrecarga que resultam de uma excessiva tensão muscular". Um cenário que não é exclusivo dos telemóveis. "As pessoas usam tablets e computadores portáteis nas mais variadas posições. Na cama, no sofá, quase sempre em posições incorretas". As longas horas que se passam a olhar para ecrãs fazem as pessoas esquecer as regras básicas de uma postura correta. E o resultado são dores agonizantes. "Já tive pacientes que me chegaram em estado de desespero. Foram a outros médicos, tomaram medicamentos e nada funciona. É preciso ter tempo para ouvir os doentes, perceber que tarefas fazem, para se chegar ao diagnóstico. Muitas vezes chegam em pânico, convencidos de que têm um grave problema de coluna, apesar de os exames não revelarem nada. E são lesões musculares, que têm um tratamento relativamente simples". Os tratamentos podem passar pelo uso de medicamentos – sobretudo de relaxamento muscular, massagens ou exercícios específicos.

CUIDADOS SIMPLES

Quem trabalha em frente ao computador deve cumprir regras simples: ter o ecrã ao nível dos olhos, para não fazer esforço no pescoço, apoiar os braços e os pulsos, manter as costas direitas na cadeira. Pois o método deve ser replicado quando se usa o telefone. Manter o ecrã à altura da vista é um dos truques que pode ajudar a poupar muitas dores. O médico americano Kenneth K. Hansraj, chefe cirurgião da coluna num centro de reabilitação de Nova Iorque, fez um estudo sobre a relação entre a inclinação do pescoço dos utilizadores de telemóveis e a pressão que estas posições exercem sobre a coluna. Se na posição normal, a cabeça exerce sobre a coluna um peso de 4,5 a 5,5 quilos, basta uma inclinação de 15 graus para se chegar aos 6,8 kg. Aos 40 graus de inclinação, o peso exercido sobre a coluna é de 18 kg e o utilizador que baixa a cabeça em 60 graus está a exercer sobre a espinha uma pressão de 27 kg. Por isso surgem lesões, que afetam os músculos e a coluna.

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