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Sexo Puro

Comprar sexo em Lisboa é fácil. Tudo depende dos gostos e preferências de cada um. Da internet às sombras discretas do parque Eduardo VII, passando por ‘sex-shops’, ‘shows’ de strip e outros tabus. Visita guiada pelo roteiro do sexo na capital.
20.03.05
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Sexo Puro
Foto d.r.
Dora está no turno das 10 da manhã e, no escritório, já há linhas a tocar. Em casa, na Portela, Jorge liga o telemóvel ao meio-dia e fica à espera que as clientes lhe telefonem. Letícia pega às duas da tarde num ‘peep-show’ da Baixa. Depois de jantar, Flávia entra em cena num bar de alterne da Amadora. Mais ou menos à mesma hora, Lisa ajeita a mini-saia, veste o casaco a imitar leopardo e pespega-se com as colegas na esquina onde ganha a vida.
24 horas por dia é quanto dura o negócio do sexo na capital e por mais alertas que se façam sobre uma sociedade ameaçada pelo stress, nada indica que a procura esteja a decrescer. Pelo contrário. Nesta matéria, quando faltam os estímulos naturais, a tendência é para arranjá-los artificialmente e há muita gente a comprar serviços e entretenimentos sexuais. Certo é que ninguém, por bizarras fantasias que tenha, fica de fora neste comércio paralelo e semimarginal que se desenrola dia e noite. Seja no mundo privado e virtual da Internet, seja em obscuros recantos de rua. Ao ritmo da cidade, das fantasias e da bolsa de cada um.
A ROTA DO 'SOFT CORE'
À medida que a cama vai girando e que as portinholas se abrem, Nora despoja-se das roupas quase etéreas que a cobrem, rebola-se pelo ‘plateau’ com gestos insinuantes e seduz os mirones que a espreitam a troco de dois euros por cada dois minutos. O seu trabalho não é simples, uma verdadeira luta contra os ponteiros do relógio. Porque aqui o tempo é dinheiro. Durante os 15 minutos que dura a performance terá de exibir virtudes suficientes para manter concentrados em si os olhares de quem entra nas cabinas do ‘peep-show’.
Cá fora, o locutor de serviço incentiva os indecisos, garantindo-lhes que não vão arrepender-se. E são muitos, na sua maioria homens, os que por volta das quatro da tarde de um normal dia da semana procuram entreter-se nas vitrinas cor-de-rosa do Animatógrafo do Rossio. Além do ‘peep-show’ (‘to peep’ quer dizer espreitar, em inglês) há outras atracções. Filmes, vídeo-cabinas, ‘sex-shop’, uma montra que funciona como privado. À porta, os cartazes anunciam o nome das artistas da casa e deixam bem claro que é proibida a entrada a todas pessoas “embriagadas, sob o efeito de drogas ou mal asseadas”.
Não é esse o caso de Arlindo de 32 anos , impecável no seu fato e gravata, que veio à procura de um filme para ver com a namorada, acabando por dar uma espreitadela no ‘show’ de Nora: “Gostei dela no cartaz”, justifica. E as expectativas não foram goradas porque as posições lascivas da rapariga fizeram-no gastar seis euros. Um pouco mais do que Rodrigo, estudante de 24 anos que veio por curiosidade e sai da cabina com a cara a arder, apesar de insistir que lá dentro, “nada de novo”. Já Beto, angolano e electricista, assume que o Animatógrafo faz parte da sua rotina semanal: “Venho cá muitas vezes e conheço o espectáculo delas todas”. Mirelle, cujos atributos, no cartaz, concorrem com os de Dolly Parton, é a sua favorita. “Erótica e sensualíssima”, anuncia o locutor ao microfone, interrompendo uma espanholada moderna que, em ritmo ‘tecno’, versa sobre a boca de Rosabela.
Um pouco acima no mapa da cidade, junto ao elevador da Glória, a luz encarnada à porta da Megasex 1 é a senha de entrada para um universo semelhante, ainda que mais vasto. Aqui, não falta quase nada no que respeita a atracções sexuais. A começar pela ‘sex-shop’ onde podem encontrar-se desde revistas pornográficas a objectos que põem em causa as mais comuns formas da anatomia humana, passando por pomadas e mezinhas capazes de fazerem ressuscitar um morto.
Nas prateleiras, entre os estimulantes tradicionais – pau de cabinda, guaraná, Viagra – existem milagres como o ‘Madam Orgasm Cream’ ao preço de 21 euros, ou, mais sensacional ainda, uma poção ‘Nova Virgem’. Também há jogos de tabuleiro, como ‘O Castelo do Prazer’ e a habitual parafernália de utensílios que se usam noutro tipo de jogos. Os eróticos. Algemas, mascarilhas, chicotes, cabedais, vibradores de inúmeras espécies e feitios, bonecos e bonecas insufláveis. Sem olhar a tendências ou preferências. Aliás, partindo do princípio de que gostos não se discutem, os cartazes do ‘peep-show’ anunciam a actuação do jovem Leo, a par dos espectáculos de Aisha ou de Letícia, enquanto que da cabina do ‘disc-jockey’ nos chega a informação de que, em breve, será a vez de Carlos e Natália subirem ao ‘plateau’ com a sua performance de sexo ao vivo.
NO ESCURINHO DO CINEMA
Para quem espera, a solução é dar uma vista de olhos na secção de vídeo e dvd que tem um top dos filmes mais vistos. Em primeiro lugar está ‘Travestis Apaixonados’, seguido de ‘As Polacas Aguentam com Rocco’ que relegou para terceiro lugar o tão falado ‘Sexo, Suor e Samba’, estrelando o brasileiro da ‘Quinta’, Alexandre Frota.
Novidade acabada de estrear-se, o filme português ‘O 1º Mês na Quinta do Conde’, ameaça destronar a concorrência. E apesar de custar 32 euros, há quem não resista aos argumentos da contra-capa: “Uma paródia sexual sobre a ‘Quinta das Celebridades’. Estrelas da pornografia portuguesa protagonizam esta verdadeira pérola do cinema pornográfico. Um festim na Quinta do Conde”.
Depois da actuação de Letícia, “a nossa devoradora cinco estrelas”, o palco giratório do ‘peep-show’ é finalmente ocupado pelo ‘mega-casal’ Carlos e Natália. A princípio são poucos os mirones e percebe-se porquê. Tudo acontece muito lentamente. Cinco minutos para tirar as roupas. Mais cinco para estimular Carlos. Outro tanto para satisfazer Natália. Sete euros é quanto custa ver até ao fim uma performance que, na opinião de Luísa e Sidónio, casal desinibido na casa dos cinquenta, “deixa muito a desejar”.
A paragem que se segue na zona ‘light’ dos divertimentos do sexo, são os Cine-Bolso e Cine-Paraíso. Uma vez mais, impera a testosterona. Quer no bar, quer na plateia, quer no balcão. No código dos ‘habitués’, os cinemas pornográficos são conhecidos locais de engate e assim que as luzes se apagam começa uma estranha dança. Escada acima, escada abaixo. Homens como fantasmas na contraluz abrem a porta e ficam a olhar para a escuridão, ignorando os gemidos e as posições de contorcionista que os esforçados actores interpretam no ecrã. Depois fecham a porta e vão-se embora, por vezes seguidos por alguém que se levanta. Aqui, por quatro euros assiste-se a um espectáculo duplo: o que é projectado na tela e a dança dos engatatões.
SEXO ON-LINE
Na era das comunicações, qualquer eremita pode ter acesso a estímulos sexuais. A internet, Kamasutra para todos os gostos e feitios, é um bom exemplo disso. Basta escrever a palavra ‘sexo’ para obter centenas de endereços. E encontram-se desde catálogos com esticadores de pénis a verdadeiras aberrações. Para hetero, homo, trans, bi, tri ou meta-sexuais.
Outra maneira de interagir, são os chat-’rooms’, modalidade em que as pessoas se encontram para conversar numa sala virtual. Veja por exemplo o portuguesissimo www.fode-me.com. “As possibilidades são inúmeras”, explica David, cibernauta de 18 anos. O aparecimento de software como as webcams permite inclusivé que “as pessoas se possam ver enquanto falam”. O que nestes encontros nem sempre acontece: “Normalmente preferem não mostrar a cara e exibir outras partes do corpo”. Desenganem-se também os que pensam que são só rapazinhos na puberdade quem frequenta esta modalidade de encontro cibernético: “Há por aí muito adulto tarado, tanto homens como mulheres”. Além disso, as liberdades são totais, quer na linguagem, quer nos gestos: “Não existe censura e os moralistas são logo expulsos”.
O mundo virtual do sexo vai muito para além disto. Um estudo mostra que os sistemas de partilha de ficheiros ‘on-line’ - ‘Peer to peer’ - são predominantemente usados para troca de fotos e vídeos pornográficos. E neste campo vale mesmo tudo, até arrancar olhos.
No ano passado a Polícia Judiciária fez apreensões de vídeos ‘snuff’ - relações sexuais de dominação em que um dos protagonistas é torturado e morre - em sites nacionais. E em 2000 foi desmantelada uma rede internacional de produção e distribuição de filmes “snuff” que se preparava para distribuir o material pela internet.
Os sites substituíram os catálogos e a fiscalização é quase impossível, daí que não seja difícil descobrir neste vasto universo endereços como www.darksites.net, uma espécie de páginas amarelas dos fetiches negros.
CHAMADAS PARA O DESEJO
Apesar de terem perdido muitos pontos para a concorrência, as linhas eróticas sobrevivem: “Enquanto houver solitários, curiosos e adolescentes, o mercado das conversas picantes continua a funcionar”, justifica Dora.
Quando, às 10 da manhã, veste a pele de outra pessoa e começa a atender telefones, o seu objectivo é manter o cliente em linha o máximo de tempo possível. “Noventa por cento das conversas descambam para o sexo.” A um custo de 0,97 cêntimos por minuto. Ou até mais, consoante o ‘calibre’ da linha.
Dora veio parar ‘à empresa’ sem saber muito bem como. Há quatro anos fez um teste vocal e, de um dia para o outro, viu-se encafuada numa sala, de headphones na cabeça e computador à frente, simulando ‘voz de cama’: “Comecei a gostar do desafio de não saber quem está do outro lado. Aqui não existem fronteiras entre a verdade e a mentira. Ao longo do turno sou obrigada a alimentar fantasias sem pisar o risco”. Nos jogos eróticos também há regras para cumprir. “Há assuntos proibidos como política ou religião, também não se pode simular uma relação sexual e não podemos falar com crianças.”
Do lado de lá pode estar qualquer pessoa, embora os homens até aos 50 anos constituam a maioria da clientela: “São sobretudo pessoas que estão sozinhas. De madrugada, há quem goste da companhia do rádio e quem prefira conversar na linha. Querem escutar uma voz, excitar-se”.
Depois de uma semana de trabalho Dora já se tinha ouvido a dizer coisas que nunca sonhara proferir em voz alta na vida, mas a flexibilidade de horários e o ordenado acima da média, a par da adrenalina, fizeram dela uma especialista na matéria. Papel para o qual nem sequer são grandes as exigências. Basta saber comunicar - “as operadoras são desde donas de casa brejeiras a jornalistas atrevidas” - e ter uma grande lata. “O comum dos clientes não está com grandes rodeios, passados 15 segundos já está a perguntar se estás nua ou vestida”, conclui.
A ROTA DO 'HARDCORE'
Trintão, charmoso, meigo, carinhoso, massagem sensual. Só senhoras, prazer garantido. ”Com este anúncio, Jorge, de 28 anos, paga as contas, faz aquilo de que gosta e ainda lhe sobra tempo livre. Aliás só começa a trabalhar ao meio-dia, hora a que liga o telemóvel, ficando ao dispor das clientes. Percebe-se logo que está habituado a silêncios do outro lado da linha e que a modéstia não é o seu forte: “Sou bonito, moreno, tenho 1,85 m, sou dotado e estou disponível para satisfazer as suas fantasias ou fetiches.” Por 50 euros, sem limite de tempo.
Jorge mora na Portela e combina encontro para as quatro da tarde frente a um Banco popular do bairro. A sua casa é um apartamento normal no meio de blocos de cimento. O quarto nem por isso. Quebra-luzes vermelhos, espelhos, uma carpete felpuda, sistema de som, lençóis de cetim. E na vitrina do armário, dildos multiformes, algemas, óleos de massagem e preservativos às cores: “Faço de tudo”, informa.
Pois hoje, só terá que dançar. E conversar. É português, mas esteve emigrado em Macau. Não arranjou trabalho de que gostasse e este dá-lhe para viver bem. Tem clientes fixas, na maioria “quarentonas casadas, viúvas e algumas divorciadas”. Por vezes, casais. Se gostar da cliente faz descontos ou dá borlas “por prazer”. Também gere uma casa semelhante com raparigas: “Metade do dinheiro para mim e outra metade para elas”. Pede para ser pago, enquanto se despe: “Não costumo ter ‘voyeurs’”, justifica. No mercado da prostituição em casas privadas qualquer fantasia pode ser realizada. É só pegar no jornal e seguir o instinto: “Amante perfeita, ex-jetset, quarentona”; “Abelinha, universitária assanhadíssima”; “Mãe e filha boas como milho, sensuais, sem tabus”, “Mulher fatal, viúva, perversa, sozinha em casa”; “Mulher de peso, rosto de boneca, peludíssima, peito avantajado”; “Grávida meiguinha, sexy e carente”. Mas também há mil e um “bumbunzinhos brasileiros”, “chinesas inexperientes e desinibidas”, massagistas e “orquídeas selvagens”, serviços para quem prefere práticas de dominação – “Mestra em bondage, transformismo, chuva dourada, esferas tailandesas e fist” – e atracções para quem gosta de brincar às identidades: “Travesti Verónica ‘Inédita’, um vulcão em erupção”.
DO CABARÉ PARA O AVIÃO
A brasileira Monique recolhe as roupas do chão do palco e desaparece atrás das cortinas com meia dúzia de palmas. À uma da manhã de sábado são poucos os clientes no Royal Maxim´s, à Praça da Alegria, e o ‘show’ foi rápido. Mesmo ao lado, o Fontoria, outro dos clássicos de Lisboa, parece igualmente deserto. A razão, segundo o taxista, “é o terceiro fim de semana do mês”. Que, ainda assim, não chega para afastar a clientela de um sector da concorrência. O dos bares e discotecas.
Por volta da uma e meia da manhã, os modelos topo de gama estacionados em segunda fila à porta do Elefante Branco, na Rua Luciano Cordeiro, fazem esquecer a crise. Uma noite aqui pode custar fortunas, mas há quem esteja disposto a pagar para ter uma companhia a condizer com o carro. Álvaro, comerciante de 54 anos, já foi cliente “de garrafa”, e assegura que “sair com uma mulher destas custa entre 150 e 200 euros”. No mínimo: “Há cerca de dois anos, um amigo holandês pagou tipas e hóteis caros ao grupo, éramos cinco e ele gastou 15 mil euros”. Numa noite.
Para orçamentos mais modestos, duas ruas abaixo, na Duque de Loulé, existem outros clubes do género. Como o Night and Day, onde o corrupio é permanente. Há colegiais, vamps, mulheres fatais e camponesas tímidas espalhadas pelo corredor e pela pista de dança esperando ser convidadas para uma mesa, ou para uma ‘voltinha’, pelos homens igualmente heterogéneos que frequentam o local. Uma cerveja custa sete euros, uma ida para a pensão pode custar dez vezes mais. Dinheiro fácil.
Pelo menos para Flávia, 20 anos, brasileira de Goiás que, há cinco meses, deixou a pátria, o emprego de “olheira de carro” e a filha de quatro anos, rumando a Portugal atrás do sonho doirado europeu. Uma miragem: “Juntar dinheiro cá, só com sexo”. Daqui a 11 meses quer voltar para a família. Abrir negócio. É por isso que se senta de mini-saia e top de renda nas mesas do bar em que trabalha, na Amadora, seduzindo homens com falinhas mansas e mãos cirúrgicas. “Peço que me paguem bebidas e fico com a percentagem”, se a companhia lhe agrada é bem capaz de negociar “algo mais”. Sempre fora do local e do horário de trabalho. Porque “regras são regras”.
Poucas ou nenhumas existirão no mercado de rua, um patamar diferente da prostituição. Os sítios abundam. Dos mais ‘pobres’ Intendente e Cais do Sodré, às esquinas e cruzamentos da Artilharia 1, passando pelas ‘Lolitas’ do Instituto Superior Técnico.
É aí que, enrolada numa gola de peles acrílicas, Lisa abre o casaco a imitar leopardo e mostra as pernas aos clientes, exibindo o cinto de ligas, “mercadoria de primeira que pode experimentar por 30 euros”. Mais o preço do quarto numa pensão que conhece nos arredores. “Fazer o casal” – “se ela quiser não se vai arrepender” – fica um bocadinho mais caro: 75 euros.
Em média, nestas zonas da cidade, o “serviço completo” custa entre 20 e 30 euros, preço de uma bebida com direito a ‘show’ no sofisticado Champagne Club.
Por metade disso, dez euros, é possível assistir ao espectáculo de um dos ‘hot-spots’ da noite alfacinha: o Avião. Este aparelho estacionado junto ao Aeroporto da Portela foi transformado em bar e tem como principal chamariz a actuação das ‘hospedeiras de serviço’. Cuja performance se desenrola numa barra vertical a meio do avião. Janine, 1,85 m, corpo de modelo da ‘Playboy’, enrosca-se na barra ao som da música dramática de amor e faz gestos insinuantes para gáudio do grupo que festeja uma despedida de solteiro. As outras ‘hospedeiras’ conversam nas mesas dos clientes, à espera de actuarem. Alguém oferece uma ‘table-dance’ ao noivo que não reage às investidas da mulata atrevida. 30 euros por cinco minutos. O preço médio do prazer.
PONTOS G
“Um homossexual que chegue a Lisboa e pretenda ter relações sexuais ocasionais pode fazer uma de quatro coisas”, explica Luís, economista de 41 anos, versado neste e noutros submundos: “Ir ao Parque Eduardo VII e arranjar um prostituto, sacar uma traveca na Luciano Cordeiro, telefonar para um número de jornal, ou ir para o engate”. E no que ao engate diz respeito, o campo de acção foi alargado: “Actualmente, um homossexual, homem ou mulher, não vai só a bares e discotecas ‘gay’, as pessoas misturam-se mais”. Ainda assim, há locais que se frequentam apenas com a finalidade de ter sexo. De borla. Como o bosque e as dunas da Praia 19, na Costa da Caparica, hiperactivas durante o verão, ou as imediações recatadas da Cidade Universitária, quando cai a noite. Só para homens: “As mulheres vão engatar para discotecas como o Memorial, não se expõem tanto”. Na moda parece estar também um novo ponto de encontro chamado Teletexto.
Ao volante do automóvel, sondando os locais que conhece bem, Luís teoriza que as coisas estão diferentes, devido ao “efeito Casa Pia”. Não que a prostituição juvenil tenha acabado, “enquanto houver consumidores, há oferta”, mas na noite fria, debaixo do arvoredo do Parque Eduardo VII, estão sete ou oito prostitutos: “São quase todos panteras e mestiços maiores de 18”, resume.
Não longe dali, na Rua Luciano Cordeiro, o ‘glamour’ decadente dos travestis quase ofusca a romaria dos faróis dos muitos carros que passam para ver o espectáculo. À distância, as lantejoulas e os vestidos curtos, mostrando pernas de Tina Turner e peitos bem torneados, enganariam muito boa gente, contudo “quem vem aqui não vem enganado”. Há carros cheios de rapazes histéricos e carros de homens solitários de meia-idade que abordam os travestis e negoceiam serviços: “Custa de 20 a 50 euros. Depende do que se queira. Estes fazem de tudo”, explica Luís. E nem sempre é assim na delicada fronteira entre homossexuais activos e passivos.

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