SOUSA CINTRA: A AGRICULTURA É PARA OS AGRICULTORES

Sempre que consegue uma folga nos negócios, José de Sousa Cintra foge da confusão da cidade, adopta um estilo informal e parte para o Alentejo ou o Algarve, as duas regiões do país onde possui herdades.
10.10.04
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“Olhe, a coisa que eu mais odeio é a gravata, e no fim sou obrigado a usá-la todos os dias. Mas quando venho para aqui ponho-me à-vontade”, diz enquanto saboreia um ‘puro’ no terraço do monte perto de Arraiolos. Como não costuma tirar férias, é num destes paraísos escondidos que aproveita para descansar, pôr o sono em dia e praticar caça e pesca.
Quando o destino é a planície alentejana, mal desliga o jipe cumpre o ritual de pegar na espingarda e ir direito ao mato. Noite serrada, posiciona-se num palanque à espera do javali mais esfomeado, pouco se importando se o animal aparece ou não: “Sou capaz de ficar ali três ou quatro horas de telemóvel desligado a ouvir os bichos, os pássaros, os ruídos, com aquele bafo do mato. Esse ar puro dá para carregar as baterias. Matar ou não acaba por ser apenas o pretexto para vir para aqui”.
Ao ex-presidente do Sporting interessa acima de tudo o convívio com os amigos. Aproveita ainda para mostrar os dotes culinários, um hábito ganho nos tempos em que vivia sozinho. “Sempre gostei de fazer petiscos e não sendo um grande ‘chef’ adoro receber bem e cozinhar com prazer para quem gosto. Desenrasco-me em qualquer prato, excepção feita à doçaria, de que não sou grande fã”.
Os dias são passados sob o signo da tranquilidade. De manhã levanta-se ao som dos passarinhos, vê os animais – ovelhas, porcos pretos, borregos –, passa pela horta e passeia na companhia dos cães. Às vezes, chega a pegar na cana de pesca para ir até a uma das barragens apanhar achigãs.
Aquele estilo de vida tem tanto a ver com ele que Sousa Cintra pensa deixar parcialmente Lisboa num futuro próximo. Como num regresso às origens, tenciona viver pelo menos metade do tempo na zona de Sagres, com bom peixe, marisco à farta, e um contacto mais próximo com os pais. “É quase um chamamento. Eu a minha mulher temos os mesmos ideais e tencionamos passar o resto da nossa vida num lugar com alguma qualidade de vida. A cidade só serve para trabalhar, porque para viver torna-se sufocante.”
Sem perder tempo com programas de televisão, Sousa Cintra felicita os famosos do concurso, mas deixa o aviso: “A meu ver, a agricultura é para os agricultores, que vivem dela, e deviam dar-se ao trabalho de dar valor a essas pessoas. Se o programa servir para despertar a curiosidade para uma realidade bem dura já não é mau, porque cuidar da terra é uma rosa com muitos espinhos”.

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