Os últimos dos bárbaros

Como um furacão, por onde passam deixam um rasto de violência e de estupor e o eco de um zumbido sem fim.
03.06.18

Por Adolfo Luxúria Canibal
 
E ao quinto álbum, "Pinned", os A Place to Bury Strangers mostram-se mais eficazes e acessíveis do que nunca.
 Quem já os viu numa das várias vezes que tocaram em Portugal certamente não os esqueceu: as suas actuações, mais do que um concerto musical, são verdadeiros happenings rock’n’roll, um furacão sónico em cima de um palco em que tudo levanta voo numa confusão indescritível, baixos pelo ar, guitarras espezinhadas no chão, pedais em curto-circuito, corpos em convulsões violentas… São sempre actuações curtas, como um ciclone repentino, e no fim ficamos a olhar à volta, estupefactos, com os lábios a formularem um "que se passou aqui?" incrédulo. E os seus discos, até agora, eram um wall of sound compacto, nos quais com esforço se podiam descortinar estruturas melódicas devedoras de uns Jesus & Mary Chain ou de uns Velvet Underground fase "Loaded". Tudo embrulhado em ruído, muito ruído, que os remetia para a onda shoegaze e psicadélica mais hardcore.

Oriundos de Nova Iorque, criadores de pedais e guitarras, podiam dar-se ao luxo de tudo experimentar e tudo partir, porque nada era lixo – e não raras vezes, no fim de um concerto, via-se Oliver Ackermann, o guitarrista e vocalista, ou Dion Lunadon, o baixista, a recolherem os mil pedaços dos seus instrumentos quebrados, para serem de novo reconstruídos e tocados… Desde a última vez que actuaram por cá, no Festival Reverence de 2016, quando promoviam "Transfixiation" (2015), o álbum anterior, houve uma mudança significativa na formação: John Fedowitz foi substituído na bateria por Lia Simon Braswell. E é a voz de Lia que agora, no novo disco, contracena com a de Oliver, imprimindo uma sonoridade mais aguda às vocalizações, que rompem assim mais facilmente por entre os feedbacks e as distorções eléctricas que erguem o muro sonoro das canções, deixando as melodias ganhar corpo de forma mais eficaz. E às vezes, ao ouvir "Pinned", achamos insuspeitadas identidades com os Sonic Youth ou os The Kills, que antes pareciam uns meninos de coro ao lado da violência sónica do trio nova-iorquino…

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