Abusos permitidos

O antigo comandante das tropas norte-americanas no Iraque, general Ricardo Sanchez, autorizou pessoalmente o uso de técnicas de interrogatório proibidas pelas convenções internacionais nas prisões iraquianas, revelou ontem a União Americana das Liberdades Cívicas (ACLU), que teve acesso a um memorando confidencial do Pentágono.
31.03.05
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O memorando, assinado pelo próprio general Sanchez, foi divulgado ao abrigo da Lei de Liberdade de Informação após um processo judicial movido pela ACLU contra o Pentágono, que pretendia manter o documento secreto alegando “razões de segurança nacional”.
No documento, datado de Setembro de 2003, o então comandante das tropas norte-americanas no Iraque especifica 29 técnicas de interrogatório que poderiam ser usadas nas prisões iraquianas, incluindo 12 métodos que, segundo a ACLU, “vão além dos limites estabelecidos no manual do Exército” e violam claramente as convenções internacionais em matéria de protecção de prisioneiros de guerra, incluindo a Convenção de Genebra. Entre as práticas autorizadas está o uso de cães nos interrogatórios (”porque os árabes têm medo deles”, afirma Sanchez), a colocação de presos em posições forçadas, a privação de sono, o isolamento e a “manipulação ambiental”, que inclui sujeitar o detido a variações abruptas de temperatura, cheiros desagradáveis, música alta e luzes brilhantes. Alguns destes métodos, recorde-se, foram usados nos abusos cometidos na prisão de Abu Ghraib.
O Pentágono assegura que algumas das medidas aprovadas por Sanchez foram revogadas um mês depois, devido à oposição dos advogados militares, mas a ACLU já afirmou que o general “deve ser responsabilizado”.

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