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"Luvas" pagas pela Odebrecht a políticos superam o PIB de 33 países

Verba foi desviada para enriquecer executivos e políticos e pagar campanhas eleitorais milionárias.

A imensa fortuna de dinheiro sujo movimentado entre 2006 e 2014 pela constructora brasileira Odebrecht para pagar suborno a políticos é tão grande que chega a superar o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma das riquezas produzidas por um país ao longo de um ano - de 33 nações do planeta. Os dados foram compilados pela imprensa brasileira com base em informações de ex-executivos da Odebrecht e do ranking do Banco Mundial que lista o PIB de 217 países.

De acordo com Hilberto Mascarenhas Silva, o director da Odebrecht responsável por esses pagamentos ilícitos a políticos do Brasil e de países da América Latina e de África, nesse periodo a constructora movimentou 3200 milhões de euros em "Luvas" desviadas de empresas públicas através de superfacturamento de obras. Esse montante supera o PIB de países como a Guiana, o Lesoto, a Libéria, o Butão e o Burundi, por exemplo, chegando, no caso de Tuvalu, a menor economia do mundo, a 100 vezes o valor do PIB local.

Esses milhares de milhões desviados para enriquecer executivos e políticos desonestos e pagar campanhas eleitorais milionárias sairam do Departamento de Operações Estructuradas da Odebrecht, um núcleo secreto criado dentro da constructora para angariar elevadas somas de forma ilícita e repartí-las por pessoas que, de alguma forma, poderiam beneficiar a maior empresa de construcção do Brasil. Hilberto, que assumiu a chefia desse departamento em 2006, depois de ser preso decidiu colaborar com a justiça em troca de redução de pena e entregou ao Ministério Público vasta documentação sobre esse mega-esquema de corrupção, inclusive com listas de pagamentos a mais de 200 políticos só no Brasil, com o montante que cada um recebeu.

Foi com base nesses documentos e em depoimentos colaborativos de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, inclusive Marcelo Odebrecht, herdeiro da constructora e preso desde 2015, que o juíz do Supremo Tribunal Federal Edson Fachim, relator da Operação Lava Jato, que apura esses desvios, autorizou na semana passada a abertura de 76 investigações contra 98 políticos. Entre eles os ex-presidentes Lula da Silva, Dilma Rousseff, Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, dezenas de deputados e senadores, três governadores de estados e oito ministros do governo do presidente Michel Temer.

O próprio Temer foi citado por vários desses "arrependidos", como tendo pedido e obtido milhões ilícitos para "sacos azuis" do seu partido, o PMDB, que, sempre de acordo com os delatores, recebeu só nas presidenciais e legislativas de 2010 40 milhões de dólares. Mas Temer não será investigado, pelo menos por agora, pois nessa época ainda não era presidente e a lei brasileira só permite investigar e julgar um chefe de Estado por crimes cometidos no exercício do mandato, como aconteceu no ano passado à então presidente Dilma Rousseff, afastada temporariamente do cargo em Maio e destituída em Agosto por ter assinado decretos à revelia do Congresso.
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