Megaoperação prende mais de 700 pessoas por homicídio e feminicídio no Brasil

Entre os detidos estão mais de 60 menores.

Uma gigantesca operação conjunta das polícias de todos os 27 estados brasileiros (no Brasil cada estado tem a sua própria polícia) está esta sexta-feira a tentar tirar das ruas o maior número possível de assassinos, principalmente acusados de feminicídio, o homicídio de mulheres. A ação, coordenada pelo recém-criado Ministério Extraordinário de Segurança Pública, começou ao amanhecer e já prendeu centenas de acusados de homicídio.

Ás 13 horas brasileiras, 17 horas em Lisboa, pelo menos 704 acusados de assassínio, entre eles 61 menores, já tinham sido presos em diversos pontos do imenso território brasileiro e tinham tido decretada pela justiça prisão temporária ou preventiva. Esses dados referiam-se a essa hora apenas a 16 estados, pois os outros 10 e a cidade-estado de Brasília ainda não tinham enviado o número de prisões para o gabinete que coordenava toda a operação.

Ao todo, participam na operação 4983 agentes da Polícia Civil (Judiciária) de todos os estados, reforçados localmente por homens da Polícia Militar e outras forças de segurança regionais. Além de acusados de homicídio e feminicídio, foram presos igualmente homens que descumpriram medidas protectivas que os impediam de contactar ou até mesmo de se aproximarem de mulheres a quem tentaram matar, agrediram ou ameaçaram.

Como no Brasil as polícias são regionais, uma operação desta envergadura e com resultados, embora parciais, tão importantes, é muito rara no país. Ela só foi possível devido a um esforço concentrado das secretarias de Segurança Pública de cada estado, coordenadas pelo ministério da pasta, sob o comando do ministro Raul Jungmann.

A operação desta sexta foi decidida há um mês numa reunião extraordinária dos chefes de polícia de todos os estados, tentando dar uma resposta ao brutal avanço da criminalidade no Brasil, de que as mulheres têm sido vítimas frequentes.

Dados divulgados dias atrás pelo Forum Brasileiro de Segurança Pública assustaram até as autoridades ao revelar que no ano passado, o último a ter todos os dados compilados, foram assassinadas intencionalmente no Brasil 63.880 pessoas, o maior número já registado desde que o levantamento começou a ser feito em 2007.

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