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Menina vela feto em caixa de sapatos após mãe a forçar a fazer aborto

Jovem velou corpo no quintal de casa antes de o enterrar.

Uma adolescente de 17 anos que estava grávida de cinco meses e foi forçada pela mãe a fazer um aborto fez uma tocante homenagem ao filho que teve de tirar, velando-o no quintal de casa antes de o enterrar. Aline Sinnott, inspetora da polícia de Campo Grande, capital do estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, onde tudo aconteceu, afirmou que a menina queria muito ter o filho e que, sendo forçada a tirá-lo, sentiu profundamente e tentou homenageá-lo da forma possível.

"A menina velou o corpo, ornamentado com três rosas e um terço, com o zelo de quem não queria ter feito o aborto. A menina, na falta de um caixão, velou o feto numa caixa de sapatos e depois enterrou-."-Detalha a inspectora, sem esconder também a emoção ante a dor e o carinho evidenciados pela adolescente ao filho que a mãe dela não permitiu que nascesse.

O caso aconteceu em meados de Março passado no bairro Guanandi, onde a adolescente vivia com a mãe, que é separada do pai dela, mas só agora foi tornado público. Esta semana, após mais de dois meses de investigação, a polícia prendeu a mãe da adolescente, um pedreiro que abriu a cova para sepultar o corpo e uma enfermeira que vendeu comprimidos abortivos.

Na altura, avisada pelo namorado da adolescente e pai da criança que ela esperava, a polícia foi à residência e encontrou o corpo, enterrado na caixa de sapatos numa cova com cerca de 1,6 metros de profundidade. Na época, a adolescente, evidenciando muita fragilidade física e uma enorme tristeza, afirmou à polícia que tinha feito o aborto sózinha, sem contar a ninguém, e que tinha depois enterrado o corpo sem ajuda.

Mas a história que ela contou não convenceu a polícia. O delegado Bruno Urban, que esteve no local, e o perito criminal Carlos Eduardo Trindade Amaral estranharam que a adolescente não tivesse nas mãos os calos que uma pessoa despreparada forçosamente adquiriria no cabo da enxada ao cavar um buraco daqueles, e ponderaram que ela estava debilitada demais para ter feito tanto esforço sem ajuda.

Imaginando que a menina estava a tentar proteger a mãe, que depois se soube não aceitar a gravidez da filha porque o pai da criança é um rapaz pobre, a polícia decidiu investigar. De acordo com o que foi apurado e levou agora às prisões, Um dia depois de a filha ter revelado a gravidez a mãe dela pediu ajuda a um pedreiro conhecido, que cavou a sepultura, e a uma enfermeira amiga deste, que conseguiu os comprimidos abortivos e obrigou a menina a ingerí-los.

A tentativa de aborto não foi bem sucedida nos primeiros dois dias e a adolescente foi forçada a tomar mais doses do forte medicamento, até perder a criança, o que a deixou muito fragilizada, colocando em risco a sua própria vida. A mãe dela foi incriminada por aborto forçado contra vontade da vítima, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa, o pedreiro por ocultação de cadáver, organização criminosa e tráfico de droga, por ter intermediado a compra dos comprimidos, a enfermeira por tráfico pelo mesmo motivo e participação em organização criminosa.

O namorado da mãe da adolescente, que não foi preso, foi incriminado por falso testemunho, por fornecer falso álibi à namorada para o dia do crime. A adolescente foi entregue pela justiça aos cuidados do pai.

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