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Pai suspeito de matar filha bebé obriga mãe a levar corpo no autocarro

Rapper acusado de maus-tratos infantis queria que a namorada fingisse que a menina tinha morrido de morte súbita.
Por Pedro Zagacho Gonçalves|21.04.17

Um homem e uma mulher ingleses foram condenados por maus-tratos infantis num caso que está a chocar o Reino Unido. A filha bebé de Rosalin Baker e de Jeffrey Wiltshire, de apenas quatro meses, morreu vítima de uma série de lesões sofridas em casa, em causas ainda por apurar. O pai da bebé obrigou depois a companheira a ir com o corpo da menina ao colo num autocarro público, com o intuito de simular que a bebé tinha morrido de morte súbita.

Imagens mostradas em tribunal mostram Rosalin, de 25 anos, a ser levada pelo namorado, de 52, à paragem de autocarro. A mulher parece nervosa e olha para trás antes de entrar no autocarro, enquanto Jeffrey lhe faz um sinal com o polegar e lhe assegura que tudo vai correr bem. Ao fim de 20 minutos de viagem, a mulher dá o alarme e diz que o bebé parou de respirar.

O caso ocorreu em setembro passado. A pequena Imani foi sujeita a manobras de reanimação no local e foi levada de urgência para o hospital, mas já estava sem vida. A autópsia revelou depois que a menina estava morta muitas horas antes da mãe entrar com ela no autocarro. Apresentava uma série de fraturas nos braços, crânio e costelas. Tinha ainda lesões no cérebro consistentes com uma agressão ou queda. No total tinha mais de 40 fraturas em todo o corpo.

Os pais foram imediatamente detidos e questionados pelas autoridades inglesas. O pai Jeffrey Wiltshire, um rapper falhado inglês, garantiu que nunca tinha sido violento com nenhum dos 25 filhos que tem, de 18 mulheres diferentes, e que desconhecia como Imani tinha morrido.

A mãe da bebé relatou que era vítima de violência doméstica e regularmente ameaçada pelo companheiro quando não lhe fornecias as drogas que este pedia. Contou em tribunal que chegou a ser esfaqueada e espancada com um martelo. A família já estava referenciada pelos Serviços Sociais britânicos, que nunca agiram, mesmo após a mãe da menina ter contado aos médicos, quando deu à luz prematuramente, que sofria agressões.

A mulher contou que, quando voltava das compras e após deixar Imani com o pai, a bebé "chorava muito e apresentava nodoas negras na cara, nos braços e nas pernas". No dia 28 de setembro Rosalin conta que acordou e não ouviu a filha chorar. "Encontrei-a com os lábios roxos e muito fria. Não respirava. Entrei em pânico e pensei ‘Ele fez-lhe alguma coisa’", contou em tribunal. A mulher, que foi acusada de mostrar "frieza e pouca preocupação com a vida da filha" em todo o processo, assegura que "estava assustada, em pânico e em choque".

Disse que foi obrigada pelo marido a mudar a roupa à menina morta e a levar o corpo consigo no autocarro. O namorado diz que nunca percebeu que a filha estava morta.

O júri não deu como provado o crime de homicídio e absolveu o casal. Os dois foram condenados apenas por maus-tratos infantis, não tendo ainda sido decretada a sentença.

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