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Polícia que matou negro em direto no Facebook absolvido

Morte de Philando Castile gerou onda de protestos contra a violência policial nos EUA.
Por Pedro Zagacho Gonçalves|17.06.17
Morto a tiro em direto no Facebook

O vídeo foi amplamente divulgado e o caso chocou os EUA e todo o mundo. As imagens mostram os últimos momentos de Philando Castile, natural do Minnesota, nos EUA, após ser baleado por um polícia. É a namorada quem transmite o vídeo em direto no Facebook e explica que Philando informou o agente que tinha uma arma consigo. O polícia, Jeronimo Yanez, pediu-lhe a identificação, alertando o homem para que não alcançasse a arma. Quando Philando foi buscar a carteira ao bolso, foi abatido a tiro.

Agora, Jeronimo Yanez foi absolvido do crime de homicídio involuntário, assim como de dois de disparo intencional de arma que pôs em causa a segurança. Para além de Philando, de 32 anos, e da namorada, Diamond Reynolds, a filha desta, de apenas quatro anos, também estava no carro quando a família foi mandada parar numa operação stop.

O anúncio da sentença foi recebido com grande revolta pela família, em particular pela mãe de Philando, Valerie Castile, que gritou várias profanidades e chorou desesperada em tribunal, acabando por ser levada pelas autoridades para o exterior.

Uma vez lá fora, a mulher fez um emocionado discurso. "Quero agradecer a toda a equipa de advogados que me acompanhou neste processo e que fez tudo para mostrara a verdade deste homicídio. E vou continuar a dizer homicídio, porque em sítio nenhum um polícia dispara contra um homem que disse a verdade, que estava com o cinto posto, num carro com uma mulher e uma criança, que eram a vida dele, e não é um homicídio. Isto quando a arma que o meu filho tinha nem sequer estava pronta a disparara", disse Valerie.

Polícia diz que "não queria disparar"

O júri que deliberou o caso demorou mais de 27 horas e entregar um veredito final, depois de ter ouvido testemunhas durante duas semanas. Yanez foi descrito como "um polícia nervoso que perdeu o controlo". O agente alegou que temeu pela vida depois de ter sido informado que Philando tinha uma arma e garante que este testou ir buscá-la. "Eu não queria disparar. Não era minha intenção", disse em tribunal.

Os advogados da família do homem morto recordaram que, desde 2005, apenas 25 oficiais da polícia norte-americana foram condenados, apesar das centenas de casos de violência policial que chegam aos tribunais todos os anos. O caso motivou uma série de protestos e vários estados dos EUA, onde largos milhares de pessoas se manifestaram contra a violência policial sobre negros, no movimento agora conhecido como 'BlackLivesMatter'.

"Estou muito, muito, muito, mesmo muito desapontada com o sistema judicial do Minnesota. Sempre achei que ia ter Justiça neste caso, depois dos protestos e de tudo o que se seguiu. Mas não, o sistema continua a falhar para os negros e vai continuar assim. Nós não estamos a evoluir, estamos a regredir. O meu filho amava esta cidade e esta cidade matou-o. O que é preciso mais? E o homem que o matou foi considerado inocente, depois de mostrar o maior desrespeito pela vida humana e disparar para dentro de um carro onde está um inocente, uma mulher e uma criança em choque. Estou irritada, claro, para lá de irritada. Mas confio na justiça divina e esse senhor vai responder pelo que fez perante alguém maior do que todos nós", concluiu a mãe de Philando Castile.

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