Sub-categorias

Notícia

Polícia usa gás pimenta para reprimir protesto anti-Temer após denúncia

Manifestação após revelações do presidente da República a autorizar a compra do silêncio de uma testemunha.
Polícia usa gás pimenta para reprimir protesto anti-Temer após denúncia
Temer Foto EPA

A Polícia Militar de Brasília usou gás de pimenta ao início da madrugada desta quinta-feira, pelo horário português, final da noite de quarta pelo horário brasileiro, para dispersar uma manifestação contra o presidente Michel Temer junto ao palácio presidencial. O protesto, aparentemente expontâneo, começou logo após uma denúncia-bomba feita pelo jornal O Globo que mostra o presidente da República autorizando a compra do silêncio de uma testemunha que poderia envolvê-lo na operação anti-corrupção Lava Jato.

Assim que as televisões começaram a repercutir a denúncia, pessoas começaram a concentrar-se junto ao palácio de Temer e a exigir a renúncia ou a destituição dele e a convocação de eleições presidenciais antecipadas. A pouco e pouco, com o aumento do número de manifestantes, militares do Exército foram chamados para reforçar a segurança do palácio pelo lado de dentro, e um novo contingente de homens da Polícia Militar chegou para reforçar a segurança no lado de fora.

Cerca de duas horas depois da chegada dos primeiros manifestantes anti-Temer, a polícia começou a tentar afastá-los das grades que cercam o palácio. Não conseguindo, a polícia carregou contra a multidão e usou gás de pimenta para os afastar.

Diversos grupos estavam ao início da madrugada a protestar contra Temer junto a outros órgãos de poder em Brasília e protestos semelhantes começavam a formar-se em outras regiões do país. Cerca das 22 e 30, hora local, 02 e 30 em Lisboa, manifestantes já formavam grupos na Avenida Paulista, cenário habitual de actos políticos em São Paulo, exigindo a saída de Michel Temer do cargo.

Denúncia explosiva

A denúncia que atingiu Temer de forma tão incisiva foi feita pelo dono do mais poderoso grupo de producção e comercialização de carnes e derivados do Brasil, o Grupo JBS, Joesley Batista. De acordo com O Globo, Joesley entregou à Procuradoria-Geral da República vídeos de reuniões que teve com Temer e que ele próprio gravou.

Num dos vídeos, ainda segundo O Globo, Temer autoriza Joesley a dar milhões de reais, a moeda brasileira, ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso no ano passado por corrupção, para que não revelasse informações que atingissem o chefe de Estado. Cunha, do PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o mesmo de Temer, era muito próximo do presidente até ser preso, mas considera-se traído pelo governante, que acusa de não o ter protegido e impedido a sua prisão, e estaria a ameaçar revelar o envolvimento do chefe de Estado em corrupção.

Nas várias gravações, Joesley também envolve o principal aliado de Michel Temer, o ex-presidenciável Aécio Neves, presidente do segundo maior partido do governo, o PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, e o ex-ministro de Lula da Silva e Dilma Rousseff, Guido Mantega, do PT, Partido dos Trabalhadores. Joesley Batista, cujo grupo é um conglomerado de dimensões mundiais, decidiu passar a colaborar com a polícia após a deflagração da Operação Carne Fraca, que acusou vários productores de carne de grande porte de usarem carne estragada e productos proibidos nas principais marcas que vendem no Brasil e exportam para dezenas de países. 
Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Mais notícias

Mais notícias de Mundo

pub