"Psiquiatria pode ajudar crianças gay", diz Papa

Sumo Pontífice recomenda pais a procurarem ajuda médica para filhos cujas tendências homossexuais se manifestem na infância.
Por Ricardo Ramos|28.08.18
O Papa Francisco, que desde o início do pontificado sempre manifestou grande abertura ao acolhimento e respeito pelos homossexuais na Igreja, está a ser criticado pela comunidade LGBT por sugerir que as crianças que manifestam tendências homossexuais devem ser acompanhadas por um psiquiatra.

A polémica afirmação foi proferida numa conversa com jornalistas na viagem de regresso após a conturbada visita à Irlanda, dominada pela questão dos abusos sexuais cometidos por membros do clero. Questionado sobre o que diria aos pais cujos filhos mostram tendências homossexuais, Francisco respondeu: "Primeiro que tudo, aconselhava-os a rezar, não a condenar; a dialogar, a perceber e a dar espaço. Nos casos em que se manifesta desde a infância, há muito que pode ser feito com a ajuda da psiquiatria, para ver como ficam as coisas. É uma coisa diferente quando se manifesta depois dos 20 anos", afirmou o Pontífice.

Estas palavras chocaram a comunidade homossexual, que acusou o Papa de recuperar a ideia de que a homossexualidade é uma doença. "São palavras graves e irresponsáveis que incitam ao ódio contra as pessoas LGBT", afirmou um dirigente da organização francesa SOS Homophobie. "Gostava que o Papa não usasse mais os homossexuais para deixar de falar dos padres pedófilos", acusou a presidente da organização GayLib, sugerindo que Francisco estava a tentar desviar as atenções da pedofilia na Igreja e da carta do arcebispo conservador Carlo Maria Viganò, que acusou o Papa de ignorar as denúncias sobre os abusos cometidos pelo cardeal americano Theodore McCarrick.

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