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Temer diz a aliados após denúncias que está a ser vítima de conspiração

Gravações mostram presidente a dar o seu aval à compra do silêncio de um ex-aliado.

O presidente brasileiro, Michel Temer, afirmou esta quinta-feira a senadores aliados que está a ser vítima de uma conspiração para o tirar do cargo, horas depois de gravações mostradas pelo jornal O Globo supostamente o mostrarem a dar o seu aval à compra do silêncio de um ex-aliado que ameaçava ligá-lo à Lava Jato, o esquema de corrupção descoberto na Petrobrás. Segundo o senador Sérgio Petecão, que o visitou de manhã no palácio presidencial, em Brasília, Temer atribui essa alegada conspiração aos bons resultados que, de acordo com o próprio presidente, o seu governo está a mostrar.

"Neste momento, em que a economia tem dado sinais de recuperação, que o dólar está a cair, a bolsa tem dado bons sinais, que a minha ida à marcha dos autarcas teve uma repercussão muito positiva, e, de repente, surge um episódio destes... Eu creio que isso seja uma conspiração."-Afirmou Temer a Petecão e outros senadores que o visitaram ao início da manhã.

Ainda de acordo com o senador, apesar da gravidade das acusações, que, pela primeira vez, colocam o cargo em risco real, pois, a confirmarem-se, as gravações revelam crime de obstrucção à justiça, Michel Temer aparentava estar tranquilo. E, em vários momentos da conversa, em que as gravações comprometedoras foram o tema principal da reunião, marcada inicialmente com outros fins, o presidente reafirmou que não vai renunciar e que vai conseguir ultrapassar este momento difícil.

"Eu estou firme, estou forte. Eu vou sair disso, vou mostrar para o povo que eu não devo nada."-Disse Temer aos senadores, na narrativa de Petecão.

Curiosamente, Michel Temer usou a mesma teoria, a da conspiração, que a sua antecessora, Dilma Rousseff, usava para o acusar de estar por trás do processo que levou à destituição dela em Agosto do ano passado. Após a reunião, a primeira do dia, Temer cancelou toda a agenda desta quinta-feira e iniciou uma longa reunião com os seus ministros mais próximos, alegadamente para preparar um discurso à Nação previsto para o final da tarde no horário brasileiro, meio da noite em Lisboa, e que desde a noite de quarta-feira, quando surgiram as denúncias, foi adiado várias vezes.

Nas gravações, feitas pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, um dos maiores do mundo na producção de proteína animal, Temer terá dado a sua anuência ao suborno do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso no ano passado por corrupção. Aliado muito próximo de Temer durante anos, Cunha mudou de atitude depois de ser preso, considerando que o presidente o traiu, e na conversa gravada Joesley teria pedido e obtido o aval de Temer para pagar suborno de vários milhões ao ex-parlamentar para que este não envolvesse o chefe de Estado e o próprio empresário em crimes da Lava Jato que o preso ameaçava denunciar.

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