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Vivem com cadáver do avô há 10 anos

Dão-lhe comida, banho, cigarros e fingem que o familiar ainda está vivo.
Por Marina Pinto e Daniela Vilar Santos|17.05.17

Uma família indonésia convive diariamente com o cadáver do avô, falecido há 10 anos, dentro da própria casa. A história é contada por um jornalista que esteve no local, citado pela cadeia Blasting News, que revela os detalhes do dia-a-dia deste clã.

Segundo o repórter, o corpo encontra-se dentro de um caixão num pequeno quarto. Refere que o cadáver é áspero, cinzento e que tem furos semelhantes aos de picadas de inseto. Os familiares encaram a situação com naturalidade e, uma vez questionados acerca do estado do homem, a filha terá respondido que o idoso apenas se encontrava doente.

A Blasting News relata que os netos brincavam perto do morto e que perguntavam à mãe por que motivo o avô estava sempre a dormir. A mãe fazia sinal para que se calassem, como se não quisesse acordar o idoso. Paulo Cirinda, como era chamado, terá falecido há mais de 10 anos, mas a família trata-o como se ainda estivesse vivo.

Casos como este são relativamente comuns na região de Tana Toraja, numa das ilhas da Indonésia, e fazem parte de tradições antigas.

Os habitantes locais acreditam que devem cuidar bem dos parentes mortos, para que o espírito não assombre a família. Fazem todos os possíveis manter os defuntos confortáveis, tratando-os como se apenas estivessem doentes. Servem-lhes comida, bebida, cigarros, dão-lhes banho e até trocam os cadáveres de roupa. Os corpos não ficam sozinhos e, quando anoitece, a luz da divisão em se encontram é mantida acesa.

O funeral só é feito bastante tempo depois, quando os parentes estão emocional e financeiramente preparados para a enfrentar a morte do ente querido.

Durante a cerimónia, é mencionado que as famílias sacrificam búfalos dado que, entre os habitantes de Tana Toraja, existe a crença de que os familiares mortos estão a partir naquele momento e que os animais estão a ajudar a levar as almas embora. As pessoas da região não costumam viver com grandes luxos, já que preferem poupar dinheiro para usar nos funerais.

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