Guerra ao caruncho

Alexandre Pais

Guerra ao caruncho

Velha escrivaninha fez a transição entre o antigo e o novo inquilino.
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Por Alexandre Pais|02.04.16
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Pelo famigerado relógio de pé alto do Palácio de Belém, que marca sempre a mesma hora, calcula-se o estado de decrepitude dos tarecos da residência oficial do Presidente: os que estão em exposição e os da arrecadação, todos catalogados como património nacional para escaparem à lareira. Marcelo não precisará de primeira-dama para meter na gaveta essa ordem do bicho da madeira e do bafio.

Escrevo isto depois de sentir a ira dos nossos ícones do bom gosto e da modernidade pela escolha do cenário em que o PR se dirigiu aos portugueses a propósito do Orçamento. Como nos mostraram as imagens da TV, parece ter sido Rui Ochoa a indicar o enquadramento, o que me pareceu bem. Não apenas pela sensibilidade estética do fotógrafo oficial mas também por assim se fazer a transição pacífica entre o antigo inquilino do palácio e o novo.

A escrivaninha negra, velha e inútil, ali esteve a lembrar o passado – espartano e avesso a mudanças – e o improviso coloquial de Marcelo, sempre brilhante, pôs os olhos num futuro que a tantos tranquiliza: Cavaco já não mora ali.

Compete agora ao Presidente, mantendo o conteúdo da comunicação, tratar da forma. E isso só se consegue declarando guerra ao caruncho, que teimosamente resiste.
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