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Se eu fosse José Sócrates

André Ventura

Se eu fosse José Sócrates

É tempo de deixar de lado a linguagem de comício e de campanha. Os portugueses exigirão respostas sérias a todas as questões.
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Por André Ventura|20.03.17
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Desde o início do mais mediático processo da justiça portuguesa que o seu principal arguido, José Sócrates, apostou todos os trunfos na linguagem populista da politização: trata-se de uma perseguição política e não existem quaisquer provas relevantes.

Tudo isto poderia fazer algum sentido durante o inquérito, em que o processo corre os seus termos em segredo de justiça e o cerne da informação está, para a grande maioria dos cidadãos, vedado. Mas o contexto de Sócrates em breve mudará: com a acusação, o processo tornar-se-á, em princípio, público. Todos conheceremos as conversas em que Salgado incrimina Sócrates e em que Sócrates se incrimina a si mesmo. Ou as gravações em que um incrédulo Carlos Santos Silva não consegue explicar as somas que passaram pelas suas próprias contas bancárias nem as que lá chegaram por ordem de Bataglia.

Em breve, todo o país poderá ler isto e muito mais. E certamente que não se perderá essa oportunidade, porque o processo que envolve Sócrates há muito que deixou de ser uma questão pessoal do ex-primeiro-ministro. Trata-se de um verdadeiro inquérito a alguns dos episódios mais desastrosos de Portugal, desde o colapso do BES ao nível brutal de endividamento da CGD. Milhões que não são nossos, mas que afetaram diretamente o nosso nível de vida e a capacidade financeira de Portugal, fatores de que ainda hoje estamos a recuperar.

Por tudo isto, Sócrates escolheu talvez o caminho mais fácil e mais popular, mas que se revelará fatal para a sua imagem.

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