Sub-categorias

Notícia

Não há banco bom

Armando Esteves Pereira

Não há banco bom

Quando rebentou o escândalo do BPN a elite bancária dizia que o pequeno grupo sob gestão heterodoxa de Oliveira e Costa era um caso à parte, quase um assunto de polícia.
  • 0
  • 4
Quando rebentou o escândalo do BPN, em 2008, tragédia que deve custar aos contribuintes mais de 7 mil milhões, a elite bancária dizia que o pequeno grupo sob gestão heterodoxa de Oliveira e Costa era um caso à parte, quase um assunto de polícia. Pura ilusão. O banco mais poderoso da fina flor financeira era, de forma mais sofisticada, outro BPN, numa dimensão ainda maior.

No verão de 2014, quando a resolução do BES afastou a família Espírito Santo, foi contada a história da separação entre o banco mau e o banco bom. No BES mau ficavam os ativos tóxicos; no bom, batizado de Novo Banco, os ativos limpos. Mas, na verdade, o banco bom ficou cheio de ativos problemáticos, herança de créditos a grandes clientes negociados por Ricardo Salgado e outros administradores. Na negociação com o fundo que está à frente na corrida, o ponto crítico são estes empréstimos sem garantia adequada, que no limite poderiam originar um buraco extra de 2,5 mil milhões para o fundo de resolução, com uma garantia do dinheiro dos contribuintes, depois de se dar como certo que grande parte dos 4,9 mil milhões injetados em 2014 jamais será recuperada.

O Governo já respondeu que não aceita mais custos na venda do banco, medida que abre caminho a uma eventual nacionalização. Esse cenário até pode ser melhor do que uma venda "vexatória". Mas pode criar uma caixa de pandora.

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)