Barbárie ao jantar

Eduardo Cabrita

Barbárie ao jantar

Os assassinos querem derrotar-nos pelo medo e pela recaída na intolerância.
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Por Eduardo Cabrita|19.11.15
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A barbárie caiu como uma mancha negra sobre a Cidade-Luz. O homem é a medida de todas as coisas e seria abjeto achar que algumas vidas ceifadas pela violência sem sentido são mais valiosas do que outras.

Desta vez as vítimas não buscavam a glória, não se batiam por causas nem escarneciam de ícones sagrados de qualquer crença. Limitavam-se a ousar jantar ou tomar um copo em locais públicos numa noite de fim de semana, em atrever-se a curtir um concerto ou a circular perto de um estádio onde jogava a seleção francesa.

A sensação de incredulidade resulta exatamente de se perceber no coração da Europa que os alvos somos todos nós, que a fuga de milhões de refugiados não é uma invasão mas sim uma debandada da catástrofe e que a sociedade da tolerância e da inclusão não se pode deixar derrotar pela derrocada das liberdades perante o primado da segurança.

Portugal, dizem-nos todos os registos, é um dos mais pacíficos e seguros países do Mundo. Mas a proximidade afetiva faz-nos pensar que o Coliseu poderia ser o nosso Bataclan, restaurantes populares não faltam, e que a Luz ou Alvalade poderiam ser o nosso Stade de France.

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