Espírito Santo

Eduardo Cabrita

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Assistimos a um penoso striptease da nossa elite empresarial que acabrunhou o País.
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Por Eduardo Cabrita|09.05.15
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Ao fim de seis meses de trabalho intenso a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES concluiu os seus trabalhos com uma qualidade, profundidade de análise e eficácia que todos os comentadores encartados antecipavam impossível.

Assistimos a um penoso striptease da nossa elite empresarial que acabrunhou o País, desacreditou a iniciativa privada e lançou uma sombra a longo prazo sobre a credibilidade do sistema financeiro. Salgado e a sua família, Zeinal Bava ou Henrique Granadeiro exibiram durante anos a aura de deuses no Olimpo do espírito de iniciativa e da criação de riqueza com atributos inalcançáveis pelos pobres mortais.

A sucessão de estórias pouco edificantes, do BPN ao BPP, das guerras internas no BCP ou no BANIF, criam uma dúvida legítima sobre o que são lamentáveis incidentes ou um modo de vida pouco recomendável. A forma como o Novo Banco se tem pretendido eximir das responsabilidades herdadas relativamente aos clientes enganados pela propaganda do BES, uma instituição abençoada quase até ao final por Cavaco Silva, Carlos Costa ou Passos Coelho, legitima as piores suspeitas sobre as prioridades a acautelar no processo de venda do banco intervencionado pelo Banco de Portugal em agosto de 2014.

Fernando Negrão, Pedro Saraiva e todos os deputados da Comissão de Inquérito defenderam o interesse público em tempo útil, apontaram o dedo à gestão danosa, não pouparam o regulador por ação e omissão e não deixaram que o Governo se escondesse atrás de uma irresponsabilidade militante protegida pelo guarda-vento de Carlos Costa.

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