Palmira e Nós

Eduardo Cabrita

Palmira e Nós

Nos Açores o ‘mordomo’ Durão Barroso abriu o caminho para o fim de Palmira.
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Por Eduardo Cabrita|23.05.15
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Ontem na primeira página do ‘Le Monde’, do ‘Wall Street Journal’, do ‘La Repubblica’ e de muitos outros jornais internacionais estava uma imagem de uma cidade magnífica resplandecente ao Sol no meio do deserto. A foto era de Palmira, uma espantosa cidade-Estado no modelo grego, que foi local de encontro de culturas e entreposto essencial das caravanas que percorriam a rota da seda. Conquistada pelo romanos, chegou a ter uma resistente rainha Septímia Zenóbia a ser exibida em desfile majestoso em Roma como símbolo dos êxitos orientais do Império.

Palmira, na sua imponência, foi sempre orgulho multicultural de aramaicos, assírios, persas e árabes. Sobreviveu a séculos de Islão tolerante, mas está na iminência de desaparecer sob o fascismo medieval do chamado Estado islâmico, que está a devorar o Iraque e a Síria, tornados irrelevantes perante o desinteresse hipócrita do Ocidente.

Não sei por quanto tempo Palmira existirá e com ela morreremos todos um pouco. Em Portugal, o tema foi tratado como mais um episódio de um conflito permanente em paragens exóticas e sempre beligerantes. Os jornais estavam mais preocupados com os energúmenos paisanos ou fardados que acham que o futebol nacional é o maior
expoente da civilização, como aliás parece resultar da overdose de horas de emissão dada por todos os canais de informação com múltiplos comentadores e especialistas.

Quando Durão Barroso foi mordomo da Cimeira da Guerra do Iraque nos Açores, o caminho para o fim de Palmira foi aberto. A intervenção de vistas curtas na Líbia abriu o buraco negro em que prosperam as máfias que arrastam milhares de vítimas da miséria para a morte no Mediterrâneo. O atoleiro sírio está a conduzir o Ocidente à trágica ironia de ter como único aliado eficaz para travar o ISIS o Irão dos aiatolás.

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