Príncipe da República

Eduardo Cabrita

Príncipe da República

A voz, a escrita e a guitarra de Almeida Santos nunca nos deixarão.
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Por Eduardo Cabrita|20.01.16
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António de Almeida Santos atravessou a vida entre dois séculos, entre ditadura e democracia e entre Moçambique e Portugal com um generoso coração beirão de cidadão do Mundo. Foi uma das raras vozes da liberdade na Lourenço Marques colonial, enfrentando onde era mais árduo um regime cego aos ventos da História que insistia em votar Portugal ao ostracismo internacional.

Regressado com a revolução dos cravos, foi decisivo na criação de laços com os novos países lusófonos que limitassem os danos e traumas de uma descolonização tardia.

Afirmada a democracia com a Constituição de 1976, foi o verdadeiro jurista de referência da primeira década do Portugal de Abril, em estreita ligação a Mário Soares. Enquanto Presidente do PS, da Assembleia da República e sobretudo enquanto cidadão interveniente em múltiplas causas cívicas, foi das mais respeitadas vozes, com uma capacidade rara de ouvir e moderar conflitos aparentemente insanáveis.

Foi um universalista cultor excelso da língua portuguesa, sempre com uma rara clarividência que antecipava os desafios dos novos tempos com a palavra que era a sua arma. A voz, a escrita e a guitarra de Almeida Santos nunca nos deixarão.
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