Concórdia hospitalar

Fernando Calado Rodrigues

Concórdia hospitalar

Ordem Hospitaleira dá em África um exemplo da convivência entre credos diferentes.
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Por Fernando Calado Rodrigues|12.08.16
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Os líderes do Daesh convencem os seus seguidores a imolarem-se e a semear o terror em nome de Deus. O Papa Francisco, na viagem à Polónia, denunciou as verdadeiras motivações do que se pretende fazer crer que é uma "guerra de religiões". Na verdade, o que está a acontecer é uma "guerra de interesses", uma "guerra pelo dinheiro", uma "guerra pelos recursos da natureza", uma "guerra pelo domínio dos povos". E concluiu: "Em todas as religiões, queremos a paz. A guerra querem-na os outros."

Felizmente há pessoas autenticamente religiosas que dão o testemunho de uma sadia convivência entre credos diferentes. O sítio ‘Vatican Insider’ relata, esta semana, o caso de um hospital na cidade de Tanguiéta, no Benim, em África, que "une cristãos e muçulmanos". Foi fundado em 1970 pela Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, um santo português. Começou a funcionar com apenas 82 camas. Hoje disponibiliza 415, para doentes de todos os credos e oriundos até dos países vizinhos. Tornou-se num centro universitário e impôs-se como um "polo de excelência da medicina africana".

Apesar de se tratar de uma instituição católica, os trezentos profissionais de saúde professam convicções religiosas diversas. E, assim, "dão um importante testemunho ao mundo, comprovam que a fraternidade e a mútua compreensão são possíveis", como disse ao ‘Vatican Insider’ o Irmão Fiorenzo Priuli, cirurgião e diretor do hospital.

Este irmão hospitaleiro desenvolveu um bom relacionamento pessoal com o anterior e o atual califa de Kiota (cidade do Níger, a 700 quilómetros de Tanguiéta). "Não se trata de uma simples amizade entre dois homens, mas de uma amizade que envolve a população, que é a primeira testemunha e a primeira beneficiária", realça o califa Moussa Aboubacar. São exemplos destes que ajudam a vencer, em relação aos muçulmanos, os receios e as desconfianças que os ataques terroristas fomentam.
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