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Até sempre, Mário Soares!

Fernando Medina

Até sempre, Mário Soares!

Mário Soares defendeu presos políticos, esteve preso por mais de 12 vezes, enfrentou a deportação e o exílio.
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Por Fernando Medina|11.01.17
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Pertenço a uma geração que já cresceu em liberdade e numa democracia europeia e estabilizada. Nenhuma dessas realidades seria possível sem o contributo único e determinante de Mário Soares. É certo que não esteve sozinho, e Mário Soares seria, aliás, o primeiro a discordar dessa leitura simplista da História. Mas há pessoas que através da sua visão estratégica apontam os caminhos e que através da sua força mobilizam as energias para transformar o País. Mário Soares foi um desses raríssimos homens. Agora que fisicamente parte, só há uma forma de verdadeiramente estarmos à altura do tanto que nos deixou: honrar o seu legado e a sua memória.

O legado de Soares é marcado, desde logo, pela sua enorme coragem. Toda a vida correu riscos na defesa daquilo em que acreditava, mesmo quando os custos para si e para os seus eram inimagináveis nos dias de hoje. Defendeu presos políticos, esteve preso por mais de 12 vezes, enfrentou a deportação e o exílio. Já em democracia, ficou sozinho contra o seu próprio partido, avançou para campanhas que pareciam impossíveis, e nunca hesitou em ser a voz solitária e incompreendida (quase sempre, aliás, por pouco tempo).

O legado de Soares é claro: sem coragem não há luta, e só a luta permite a conquista. A segunda marca que Soares nos deixa é a da tolerância. Tolerância no sentido amplo e profundo, de quem entende como absolutamente naturais as diferenças de visão do mundo e que luta para que todas tenham lugar no espaço do Portugal democrático.

Perseguido pela PIDE, Soares nunca mostrou rancor e empenhou-se em que elementos ligados ao anterior regime continuassem a dar o seu contributo para Portugal. Homem de esquerda, bateu-se contra as tentativas revolucionárias de excluir as correntes políticas mais à direita. Opositor firme à visão do PCP para o País, opôs-se às tentativas da extrema-direita de ilegalização dos comunistas após o 25 de Novembro. Assumidamente laico, Soares impediu que o processo revolucionário resvalasse para uma cisão com a Igreja Católica e empenhou-se no diálogo religioso.

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