Revelações surpreendentes

Fernando Medina

Revelações surpreendentes

A opção de Passos Coelho acabou por ser atirar os problemas para debaixo do tapete, em nome da narrativa da saída limpa.
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Por Fernando Medina|22.03.17
Foi com estupefação que o país assistiu às declarações mais recentes de Assunção Cristas e de Pedro Passos Coelho, responsáveis pela governação do País entre 2011 e 2015, sobre o sistema financeiro português. Depois de Cristas ter afirmado que durante quatro anos o anterior governo nunca discutiu, seriamente, os problemas do sistema financeiro no Conselho de Ministros, e que se limitou a aprovar sem ler a resolução do BES, veio Passos Coelho assumir que, para ele, este era um assunto que dizia respeito ao Banco de Portugal e não ao Governo.

Um problema estrutural para a economia, o emprego e o investimento, e constante no programa da troika, era um problema secundário para o anterior Governo. Tão secundário que foram todos para a praia e delegaram no Governador do Banco de Portugal a responsabilidade de dar a cara pela estratégia da resolução do BES, uma das maiores falências bancárias da história do nosso país.

Além da leviandade e da opção ideológica presente nisto tudo, há aqui uma dimensão de taticismo político que fica totalmente evidente quando ouvimos Passos Coelho admitir, esta semana mesmo, que os problemas do sistema financeiro eram de tal grandeza que não lhe restava outra opção senão esperar que o mercado tudo resolvesse por si próprio.

A opção acabou por ser atirar os problemas para debaixo do tapete, em nome da narrativa da ‘saída limpa’. Isto, ao mesmo tempo que se recusava a utilizar seis mil dos doze mil milhões previstos no programa da troika para assegurar a estabilidade do sistema financeiro português.

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