Salários em perda

Fernando Medina

Salários em perda

Desde o final dos anos 70 que os salários valem cada vez menos na riqueza criada nos países desenvolvidos.
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Por Fernando Medina|12.04.17
Muita gente se tem interrogado sobre a crise dos tradicionais partidos de governo e a recente ascensão dos nacionalismos populistas nos países desenvolvidos. Boa parte da explicação do fenómeno encontra-se no último World Economic Outlook, publicado pelo FMI.

Desde o final dos anos 70 que os salários valem cada vez menos na riqueza criada nos países desenvolvidos. Isto significa que à medida que um país aumentava a sua riqueza, os salários cresciam menos e as desigualdades aumentavam.

Segundo o FMI esta perda do trabalho em relação aos ganhos do capital está diretamente ligada às mutações tecnológicas das últimas décadas. Nos países desenvolvidos como Portugal estima-se que cerca de metade desta perda se explica pelo desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação. Isto é particularmente sentido pelas gerações menos qualificadas, que em todo o lado tiveram dificuldade em aceder aos empregos mais bem remunerados. Não será por acaso que entre as dez maiores fortunas do mundo, oito estão ligadas ao setor das tecnologias da informação e que nos últimos 22 anos, Bill Gates foi 18 vezes considerado pela revista Forbes como o homem mais rico do mundo.

Mas o acesso e difusão da tecnologia está longe de explicar tudo. A verdade é que as últimas décadas foram marcadas, também, pela intensificação da abertura do comércio internacional e liberalização dos mercados financeiros. Com essa livre circulação de capitais, as políticas fiscais dos Estados nacionais deixaram de ser o poderoso instrumento de redistribuição da riqueza que tinha marcado os chamados 30 ‘gloriosos anos’ (1945-73).

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