Sentido das prioridades

Fernando Medina

Sentido das prioridades

Entendo que o Governo não deve avançar com o afastamento de Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal.
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Por Fernando Medina|08.03.17
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Depois das últimas revelações acerca da queda do Banco Espírito Santo, muitos defenderam o afastamento de Carlos Costa do cargo de Governador do Banco de Portugal. Compreendo as suas posições, mas entendo que o Governo não deve avançar com o afastamento do Governador.

Em primeiro lugar, o Governador do Banco de Portugal é, à luz dos estatutos do próprio banco, praticamente inamovível do cargo. Afastar, hoje, Carlos Costa só seria possível na existência de ‘falha grave’ no exercício do cargo. Simplesmente as falhas que fragilizam o Governador são, no essencial, conhecidas há muito tempo e são, de resto, anteriores à sua estranha recondução por Pedro Passos Coelho.

Em segundo lugar, Carlos Costa tem em mãos dossiês da maior importância, que vão desde o cumprimento da promessa da venda do Novo Banco à resposta ao problema do crédito malparado. Em terceiro lugar, seria um erro dificultar as relações com as instituições europeias ao afastar agora Carlos Costa do Banco de Portugal.

É verdade que Carlos Costa é um governador fragilizado e que desempenhou mal o seu cargo. Estava ao leme da supervisão quando o país conheceu as maiores falências financeiras em várias décadas, tendo responsabilidades diretas na estratégia definida para o BES e na surreal situação que o país viveu com a capitalização de junho que se evaporou em agosto - pondo em causa o prestígio do país e a confiança dos investidores. Mais ainda, Carlos Costa foi, durante anos, e muito para além do que o cargo o aconselhava, um leal escudeiro das opções do Governo de Pedro Passos Coelho.

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