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Ato falhado

Joana Amaral Dias

Ato falhado

A sala estava meio vazia, as palmas foram sempre a meio gás, as palavras projetadas com meia convicção.
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Por Joana Amaral Dias|30.11.14
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A sala estava meio vazia, as palmas foram sempre a meio gás, as palavras projetadas com meia convicção. Os semblantes mostravam-se ora ausentes ora estafados. Enfim, o Partido Socialista gastou tanta energia para evitar que Sócrates fosse o centro que ficou completamente esgotado. E já não sobrou força para o próprio congresso. Objetivo meio cumprido, portanto. Tanto esforço para recalcar um tema que depois só pode sair um ato falhado.

O problema é que talvez seja este o futuro próximo do PS. Se Sócrates teimar no "se for ao fundo, levo o PS comigo", na defesa na praça pública, o Largo do Rato poderá ter que gastar grande parte dos seus recursos na contenção desses danos, na gestão desses riscos, pouco restando depois para as ideias, a oposição, as eleições e, sobretudo, o País. No sábado de manhã, talvez o PS achasse que bastava escolher "Sócrates ou o partido". Ao final do dia, entendeu que eliminar a primeira a opção é, em si mesmo, todo um programa. 

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