Três matadores três

João Aranha

Três matadores três

Será especial, a próxima corrida do Campo Pequeno.
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Por João Aranha|27.09.16
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Sirvo-me desta metáfora porque, em meu entender, remete para imagens de cartazes de toiros que estarão na memória dos mais velhos e traduz o espírito do próximo evento tauromáquico do Campo Pequeno. O tempo não apaga essas imagens, nem a recordação dos amigos que já "partiram" e com quem partilhei tantas tardes de toiros, tantos quilómetros de "carretera" e inumeráveis passadios em "fondas" e "hostales" da geografia taurina de Espanha. Tudo isso já lá vai, tal como um rôr de recordações subjacentes à satisfação de uma paixão que custava algum ‘parné’ e exigia esforço físico, mas consolava o espírito e consolidava amizades.

Foi ao abrigo dessas circunstâncias que vi, pela primeira vez, tourear Juan Serrano, o ‘Finito de Cordoba’, ainda novilheiro, na praça de Mérida. Dividia cartel com Jesulín de Ubrique, e, em duas faenas de empaque, mostrou que o ‘temple’ (que ainda hoje o distingue) era fruto de um toureio inspirado e de rara beleza, deixando para o companheiro outra postura e outro corte.

Jerez de la Frontera é terra de ‘calés’ e de toureiros de arte mas também ‘pátria chica’ de quem se entrega totalmente a uma profissão que envolve risco de vida e exige coragem, valor e muita fé. É o caso de Juan José Padilla, renascido para uma carreira de êxitos e lugar cimeiro no ‘escalafón’, depois de ultrapassados os efeitos de uma gravíssima cornada, que lhe ditou a perda do olho esquerdo. Nem isso o impediu de continuar a bandarilhar como os melhores e a abrir-se de capa com sabor e arte frente a toiros de divisas ‘duras’.

Há famílias onde a afición e a paixão pela Festa passa de geração em geração, ajustando-se ao gosto particular de cada uma. Foi assim que a saga invulgar de Augusto Gomes teve continuidade no seu filho José Luís, cabo de forcados de primeiro nível, e nos filhos deste, também forcados, sobrando o capote e a muleta para o Manuel, que seguiu as pisadas do avô e se estreia como matador na arena da capital, completando a terna.

Os toiros de Manuel Veiga podem permitir que haja bom toureio, apesar da ‘corrida truncada’ na sua essência e integralidade por força de uma lei contra-natura. E o público muito especial que responder – em quantidade e qualidade (?) – ao risco assumido por quem montou a corrida, apenas terá de o lamentar.
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