Dos flocos de aveia à banha de porco

João Aranha

Dos flocos de aveia à banha de porco

A temporada 2016 já lá vai e deixou boa memória.
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Por João Aranha|07.12.16
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A temporada 2016 já lá vai e deixou boa memória com muitos êxitos ganaderos, uma série de corridas de casa cheia (e não apenas no Campo Pequeno), confirmação de alguns jovens cavaleiros, renovação nuns quantos grupos de forcados e, para surpresa de muita gente, presença assinalável do toureio a pé, revivido com duas excelentes corridas com Padilla em alta, e Roca Rey a mostrar quanto vale em Salvaterra.

Para um velho cronista que já viveu quase tudo em muitos anos e múltiplas praças de toiros do mundo taurino, com largas centenas de carreteras, almoços castiços em ‘fondas’, ‘tascas’ e ‘hostales’ e pensões a condizer, este tempo de defeso que vai do Outono à Primavera, remete para os caminhos de muitas leituras caseiras e inevitáveis ‘fait divers’, sobretudo os que decorrem dos debates televisivos.

Aconteceu há dias, que um apontamento do CM me deixou confuso quanto à verdadeira posição do deputado do PAN que (muito embora continuando a escusar-se no que toca a revelar que ‘pessoas’ respeita, que ‘natureza’ conhece e que ‘animais’ protege) propôs, na Assembleia da República, que os flocos de aveia passassem a pagar IVA de apenas 13%, enquanto que a taxa da banha de porco deveria ser agravada. Ao ler tal coisa lembrei-me da minha infância, em Beja, quando, ao café da manhã, comíamos pão caseiro barrado com manteiga de porco, e também das ‘popias’ de farinha de trigo e banha que me chegam de Safara ou Santo Aleixo e ainda hoje fazem parte da minha primeira refeição diária que na cidade se chama ‘pequeno almoço’.

E porque me esforço por respeitar o meu semelhante, creio que conheço bem melhor que o Sr. André o que se entende por natureza, e penso que todos os animais, do percevejo ao dinossauro, tem o seu lugar no mundo, numa escala de valores que vai dos que privilégio por me ajudarem no trabalho e no laser, ou até me servirem de alimento, como desprezo os que não me respeitam ou vivem do meu sangue, discordo frontalmente e sem hipocrisias de uma tal proposta. E também na esperança de que o Sr. André aproveite da quadra para se definir e começar a entender que Portugal é muito mais que as grandes urbes onde os flocos de aveia terão maior apreço.

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