Marcelo e Anita

João Botelho

Marcelo e Anita

“Do anterior presidente, que nunca mais saía, só vou ter saudades da narrativa fotográfica espalhada no Facebook ‘Cavaca a presidente’”
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Por João Botelho|31.01.16
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Campanha barata, feliz, vazia, triunfante. Fonte de inspiração: Anita. Anita na praia, Anita no bosque, no jardim zoológico e até no circo. Marcelo em toda a parte e em parte nenhuma. Marcelo em careto transmontano, Marcelo a cortar o cabelo, a comer um pão com chouriço, a enfiar uma bola no forno. Tantas imagens que é tempo delas, pouco som, que hoje o ruído é imenso. Do perfeito à- -vontade por motivos de gozo na visita à Festa do Avante, ainda a campanha não tinha começado, à solenidade do discurso final na Faculdade de Direito por motivos afectivos e porque sim.
Neste percurso genial, cada paragem, ou estação (como se diz na via sacra), dava uma pequena e educativa história, como as da Anita, para adultos e para todos, porque até as crianças as podem ler, Marcelo foi imparável. E também impecável, tudo lhe fica bem, o boné e a samarra, o sobretudo de caxemira e os calções de banho, o guarda-chuva e os sapatos de lona, enfim, o garrafão e o flute de champanhe francês. E deixou de afirmar uma coisa e o seu contrário, como no tempo em que Ricardo Araújo Pereira o "apanhou" maravilhosamente. Cuidadoso, mediu as palavras, disse pouco porque todos sabem que ele é tudo. Filho de Baltazar, mas neto da avó Joaquina de Celorico. Pertença da elite de Cascais, onde se joga ténis e pratica vela a sócio do S. C. Braga. Um verdadeiro português. Passos Coelho engoliu em seco, já não lhe pode chamar "cata-vento". António Costa engoliu molhado e contente. Apareceu como Primeiro-Ministro e não como Secretário-Geral a agradecer o desbaratar dos seus opositores no PS (4% não dá de certeza para convocar um insuportável congresso, pensou ele).
Na noite das eleições, enquanto no ecrã maior, Marcelo prometia lealdade a uns e felicidade a todos, nos ecrãs pequenos, a Judite Sousa e o José Alberto Carvalho competiam, de brilho nos olhos e baba na boca, com a felicidade dos adjuvantes, para ver quem tinha mais contribuído para a fabricação desta figura vitoriosa. Do anterior presidente, que nunca mais saía, só vou ter saudades da narrativa fotográfica espalhada no Facebook "Cavaca a presidente!". E por isso, atrevo-me a sugerir ao seu talentoso criador uma nova saga: "Anita, tu ainda chegas lá!". Abençoado país onde Jonas quer dizer "golos" em vez da neve mortífera do maior nevão do século que matou pessoas e paralisou um império.
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