A aritmética das reformas

José Rodrigues

A aritmética das reformas

"Quando a esmola é grande, o pobre desconfia", diz o provérbio.
  • 0
  • 1
Por José Rodrigues|24.04.17
  • partilhe
  • 1
  • 0
"Quando a esmola é grande, o pobre desconfia", diz o provérbio, que poderá aplicar-se na perfeição às propostas para as reformas antecipadas avançadas pelo Governo, que, por um lado, oferecem uma menor penalização e um alívio para as carreiras contributivas longas, por outro, quer que a idade de acesso à reforma antecipada aumente todos os anos.

Explique-se: a 22 de março, o Ministério do Trabalho avançou com propostas corajosas: a eliminação do fator de sustentabilidade (corte de 13,88%) nas pensões antecipadas e o fim de qualquer penalização para quem tivesse 48 anos de descontos; porém, numa segunda versão do documento, a 6 de abril, podia ler-se no ponto C : "A idade mínima de acesso à reforma antecipada acompanhará anualmente a evolução da idade normal de reforma de acesso à pensão". Ou seja, as penalizações seriam menores (maior custo para o Estado), mas cada vez menos pessoas teriam acesso à reforma antecipada porque o patamar mínimo para esse acesso, atualmente de 60 anos de idade , aumentaria todos os anos (menor custo para o Estado). É, em suma, dar por um lado e tirar por outro. Ou seja, a aritmética do costume...
Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)