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Cabelos brancos

Padre António Rego

Cabelos brancos

Esta nova modernidade deixa-nos no terreno de despojos duma guerra inglória.
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Por Padre António Rego|17.02.17
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É frequente, a sós ou em diálogo, perguntarmos donde viemos e para onde vamos. Donde viemos, não tem resposta simples mas, juntando os acontecimentos mais vistosos, fazemos como os títulos dos jornais, iludimos com maiúsculas clamorosas a realidade por vezes insignificante. Assim, classificamos eras e fragmentos do passado.

Quanto ao futuro, não nos enganamos, porque tudo pode acontecer e na altura diremos: "eu sempre disse que era assim". Talvez o mais difícil seja dizer o que é o tempo presente, entalado em aglomerados de ‘pós-factos’, com falsas evidências, envolvimentos pessoais tomados como coletivos, veredictos feitos de emoções, rotas ao sabor dos ventos, da pressa, da impaciência, das frustrações e das pequenas ou grandes alegrias que vão preenchendo os nossos dias.

Assim, do nosso tempo não há uma visão única ou unívoca, mas o novelo das nossas individualidades ou, dizendo melhor, do nosso individualismo. Alguns cabelos brancos podem levar-nos aos anos 60, ao corte que significaram na civilização ocidental, à recusa de interditos, disciplinas, moralismos, exigências, que nos faziam prisioneiros de vários séculos recheados de valores e repressões, com medo de se desprenderem para o novo que estaria a chegar.

Mas este novo, esta modernidade, deixa-nos no terreno de despojos duma guerra inglória, a desestruturação de elementos que nos sustentavam: a família, a escola, o amor, a religião, a autoridade, a firmeza de princípios, a bússola dos mestres, o peso da sabedoria. Tudo isso se perdeu? Não. Mas muitas vezes não se sabe por onde anda. E nós não sabemos o que somos, nem encontramos os profetas que noutros tempos alimentavam as nossas alegrias e esperanças.

Resta-nos a referência do Papa Francisco? É pouco, e não sabemos quanto vai durar. É preciso procurar sempre. Com uma pequena candeia de fé.
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