À Deriva na Estrada

Paulo Morais

À Deriva na Estrada

A sinalética portuguesa é anedótica! A informação é nula ou induz ao engano. Quem conhece os percursos não usa as placas.
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Por Paulo Morais|29.08.15
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A sinalização das estradas portuguesas poderia ser retirada. Toda. Sem quaisquer indicações, os automobilistas chegariam mais depressa aos seus destinos. As placas nascem em catadupa, quais ervas daninhas. Não têm qualquer hierarquia, nem de cor nem de tamanho. Umas são azuis, outras brancas, outras ainda amarelas. Todas podem indicar uma autoestrada, uma localidade, um hospital, um hotel ou um pequeno bairro. Não há qualquer relação entre a importância e a natureza do local e a relevância das placas.

Raramente dão indicações claras. É comum ver placas que, indicando a mesma localidade, apontam em sentidos opostos. Depois há as que são completamente inúteis, as que apontam "trânsito local", "todas as direções" ou até "outras direções" que não todas. O automobilista desespera. E já para não falar das obsoletas, como as que se encontram no centro das cidades a indicar o sentido de Lisboa, referindo-se a percursos em estradas antigas, entretanto absorvidas pelo trânsito urbano.

A ambiguidade é também uma característica dominante; exemplares são as que nos mandam para os bombeiros em todas as direções, porque há várias corporações no concelho. Quando, por milagre, as indicações estão corretas, logo à frente uma maldição as faz desaparecer.

A sinalética é anedótica! A informação que disponibiliza é nula ou induz ao engano. Quem conhece os percursos não as usa. E quem não os conhece também não será pelas placas que se orienta. Se alguém quisesse fazer com que os automobilistas se perdessem, não faria melhor.

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