O circo da política

Paulo Morais

O circo da política

Os partidos em campanha não se pouparão a nada: cartazes sem limite, jantaradas, passeios e caravanas de jotinhas.
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Por Paulo Morais|01.08.15
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A campanha eleitoral legislativa está em marcha. Multiplicam-se outdoors aos milhares pelas ruas, avenidas e estradas de Portugal. Parece que os partidos não fazem contas aos gastos e têm dinheiro sem fim. Num país em que as famílias passam enormes dificuldades, este esbanjamento chega a ser insultuoso. Os partidos em campanha não se pouparão a nada: cartazes sem limite, jantaradas, passeios, caravanas de jotinhas. Tudo se permitirão, até porque para campanhas o dinheiro aparece sempre.

Nos esquemas de financiamento partidário, ganham todos... menos os cidadãos. Os partidos beneficiam de fundos ilimitados, e deficientemente controlados, para as ações de campanha. Os arrebanhadores de votos e membros das caravanas instalam-se, às centenas, em bons hotéis, pelo país fora. A campanha é para a maioria uma manifestação de poder e riqueza, um circo, um misto de alarvidade e novo-riquismo.

Mas os que mais ganham com o esquema nem sequer são os partidos. Os maiores beneficiários são de facto os financiadores, que têm sido, ao longo de anos, banqueiros como os Espírito Santo, industriais como Américo Amorim ou grandes construtores como António Mota. A quem depois de eleitos os políticos agradecem, exercendo os seus cargos em proveito de quem os financia. Não terá sido por acaso que Américo Amorim viu prescrever o caso de fraude de milhões em verbas do Fundo Social Europeu, que Mota recebeu de mão beijada dezenas de parcerias público-privadas ou que Ricardo Salgado mantém até hoje o seu património, apesar dos prejuízos que causou ao país.

Este tipo de campanhas espalhafatosas tem de acabar. Em Portugal, temos de seguir o exemplo de países europeus ricos e desenvolvidos. No Luxemburgo, por exemplo, a propaganda é colocada em pequenos placards onde as candidaturas apresentam os seus programas. E não é por falta de propaganda que os eleitores deixam de ir às urnas. Na Dinamarca, sem espalhafato, votaram sempre cerca de 85% dos eleitores – uma tradição que já leva setenta anos e com bem melhores resultados na escolha de governantes!


Corrupção em Angola
Um relatório do Departamento de Estado dos EUA publicado esta semana defende que a cultura de corrupção que grassa em Angola prejudica a luta contra o tráfico de seres humanos. O documento refere  que há mulheres e crianças angolanas sujeitas a escravidão doméstica em países como Portugal. Exige-se a intervenção do Ministério Público.
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  • De jmario01.08.15
    Qual será o motivo pelo qual os chamados partidos do arco do poder não se lembram deste senhor para primeiro ministro ou mesmo presidente da república? A resposta é simples: a HONESTIDADE não faz parte do programa desses partidos.
3 Comentários
  • De Rodrileo27.09.15
    Vou votar em si para a presidência e espero não me decepcionar quando e se lá chegar. É que quando lá chegam esquecem-se todos do que disseram e defenderam.
    Paulo Morais é dos poucos que restam que ainda nos dão alguma réstia de esperança para "limpar este país" de políticos corruptos e sem vergonha na cara.
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  • De jmario01.08.15
    Qual será o motivo pelo qual os chamados partidos do arco do poder não se lembram deste senhor para primeiro ministro ou mesmo presidente da república? A resposta é simples: a HONESTIDADE não faz parte do programa desses partidos.
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  • De  Anónimo 01.08.15
    Concordo inteiramente com P. Morais, mas se ganhar uma eleição, os gameleiros, com a sua inteligência conhecem bem os pontos, onde se devem colocar e se o 1º ministro for justo tentam culpá-lo.
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