“L’ uomo è mobile, qual piuma al vento”: uma ópera tragicómica chamada SCP!

Paulo Sargento

“L’ uomo è mobile, qual piuma al vento”: uma ópera tragicómica chamada SCP!

Bruno de Carvalho mostrou-se, nos últimos dias, igual a si próprio.
  • 0
  • 6
Por Paulo Sargento|25.06.18
  • partilhe
  • 6
  • 0

Devo começar por afirmar que muito me espanta que houvesse gente a pensar que, com a Assembleia Geral destitutiva do Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal (SCP), o seu ex- Presidente (mas, também, ex-Presidente do Conselho Diretivo suspenso, ante-impugnante de Assembleias Gerais (AG), atual impugnante de AG, atual "afinal eu é que sou o Presidente da SAD" e putativo futuro candidato à Presidência do SCP, nas eleições de 8 de setembro, pf) Dr. Bruno de Carvalho, iria sair de cena e aceitar o baixar de pano da ribalta a que se (nos) habituou. Não, não seria possível. E não seria possível por três motivos: a natureza do personagem Bruno de Carvalho, a dinâmica e as motivações dos seus adversários e a desejabilidade mediática.

Bruno de Carvalho mostrou-se, nos últimos dias, igual a si próprio. E assim se tem mostrado desde o início do(s) seu(s) mandato(s). Refinou-se, talvez, em alguns aspetos. Mas, os estruturais - os que verdadeiramente nos permitem predizer os comportamentos humanos – esses têm-se mantido demasiado visíveis, frequentes e insistentes para que muitos dos que agora se comportam como virgens ofendidas não se tenham deles dado conta em "devido" tempo. A natureza beligerante e querelante do seu discurso, o seu comportamento desconcertante e obstinado, "o fazer-se de maluco", como o próprio assumiu recentemente, e a vocação dominadora auto-inebriada da sua estratégia, nunca foram escondidos nem dissimulados.

Retirando os, poucos, oponentes de sempre a Bruno de Carvalho, os que só agora gritam "aqui del Rei" e/ou "o Rei vai nu", mostram-se pouco consistentes e, até, demasiado confusos. Eis dois exemplos do que acabo de referir: o "esquecimento" de publicitar a AG no órgão oficial do Clube e a permissão de voto a Bruno de Carvalho na AG destitutiva. Por que razões isto acontece? Por muitas e diversíssimas. Mas uma é comum a todas as instituições que chegam a este trágico clima: a existência de apaniguados e de "virgens ofendidas" que mantêm o status quo por obediência cega e em manada aos ditames de um líder. Na ópera buffa encontramos alguns personagens que são suas epifanias: por exemplo, Leporello, na ópera "D. Giovanni", de W. A. Mozart, e Semicúpio, das "Guerras do Alecrim e Manjerona", de António José da Silva. Em ambos os personagens, o seguidismo a um Amo, que desconsideram no seu íntimo, deve-se exclusivamente à ilusão de, no seu apoio, poderem vir a receber os muitos salários em dívida ou, seja, do mal, o menor!

E, falando em ópera, as reviravoltas comportamentais de Bruno de Carvalho espelham uma apropriação (discreta adaptação) que arrisco fazer de um verso da ópera Rigoletto, de G. Verdi: "L’ uomo è mobile, qual piuma al vento, muta d'accento e di pensiero", isto é, numa tradução livre: "o homem é mutável, qual pluma ao vento, muda de lugar e de pensamento".

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)