Assumir o desafio

Pedro Santana Lopes

Assumir o desafio

Faz uma certa impressão ver os europeus numa cidade como Veneza a não entrarem nas lojas.
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Por Pedro Santana Lopes|09.01.15
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O mundo está mesmo a mudar e a Europa está em grande mudança. Quem pensa que é só em Lisboa que se veem chineses, indianos, brasileiros e africanos a comprar nas grandes lojas, está completamente enganado.

Em Itália, numa cidade como Veneza, nas lojas das melhores marcas do mundo, praticamente não se veem pessoas de outra nacionalidade. É uma sensação algo rara estar a beber um cappuccino no café Florian, em plena Praça de São Marcos e, à volta, ter uma mesa cheia de chineses, com um deles ostentando várias notas de 100 euros na mão, a distribuir pelas mulheres e homens que estavam com ele. O ambiente era de grande euforia e os trajes e pinturas femininas eram bem ocidentais. Os empregados tinham dificuldades em controlar tanto bulício. Pode ter sido só um grupo, mas é, de certa maneira, um sinal dos tempos.

O que não era só um grupo era a quantidade de orientais nas lojas da Hermés, Gucci, Fendi, Chanel, e por aí fora. Absolutamente impressionante. Antes eram os americanos do norte, os japoneses e europeus que iam para esses países, com muito dinheiro e a acharem tudo muito barato. Tudo está a mudar e faz uma certa impressão ver os europeus numa cidade como Veneza a não entrarem nas lojas ou então, se entram, quase nada compram. E as grandes lojas, naturalmente, cada vez mais têm sinalética em chinês. Está bem que Veneza é a terra de Marco Polo e terra, tradicionalmente, de mercadores. Mas o sentido das rotas de quem compra e de quem vende vai mudando com os tempos.

Como em Lisboa, e tendo em conta a crise portuguesa e europeia, estes visitantes são a salvação de muitos espaços comerciais e, também por isso, são bem-vindos. Mas espero que nós, europeus, sejamos capazes de pensar no que isto significa, depois desta reação inicial que se vê nos rostos, de uma considerável estranheza e de um certo acabrunhamento. O que se exige é que sejamos capazes de elaborar e de desenvolver estratégias de reorganização económica e social, que nos permitam sermos competitivos e termos as nossas economias a crescer.

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