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Circunstâncias opostas

Pedro Santana Lopes

Circunstâncias opostas

Ser oposição a um partido que apresenta estes resultados não é nada fácil.
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Por Pedro Santana Lopes|29.09.17
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Foi o Presidente da República que disse, há cerca de um ano, que um novo ciclo político se iria abrir com as eleições autárquicas. Não sei que sondagens já teria o Presidente nessa altura, mas conhecendo-o como o conheço, há décadas, sei bem da sua capacidade de elaborar cenários e previsões políticas com anos de distância. Não estou com isto a dizer que tenha acertado sempre, mas acertou muitas vezes. Só domingo à noite, depois de contados os votos, se saberá se essa previsão se confirma ou não. Lembro-me há quatro anos, estava António José Seguro como líder do PS e muito se falou sobre o significado da vitória que esse partido alcançou.

Não sei se se recordam, mas António Costa disse na altura, sobre os cerca de 35 por cento que o PS alcançou, que era uma vitória que sabia a "poucochinho". E atenção, foi vitória. A direção do PS refutou essa tese, disse que tinham subido o número de câmaras ou número de mandatos, mas a verdade é que, algum tempo depois, António Costa era líder do PS.

Poder-se-á, pois, então pensar que, se o PSD que agora está no lugar do PS de há quatro anos, ou seja, na oposição, não ganhar as eleições e/ou tiver um mau resultado nas várias parcelas de apreciação, lhe pode acontecer o mesmo e, concretamente, a Pedro Passos Coelho. Só que há uma 'pequena' e 'ligeira' diferença: era a própria oposição a António José Seguro que dizia na altura que o resultado sabia a "poucochinho" porque se estava no meio da maior crise económica e social que o país viveu desde o 25 de abril. E acrescentavam que, nessas circunstâncias, seria natural o PS ter uma vitória absolutamente categórica.

Agora, como é sabido, o quadro é o oposto: Portugal está com um crescimento económico que já não tinha há quase duas décadas e com um nível de desemprego que também já não conhecia desde há uns bons anos. E isso faz toda a diferença. É que ser oposição a um partido de Governo que apresenta esses resultados - independentemente do estafado debate sobre a quem cabe os respetivos méritos - não é, na verdade, nada, nada fácil. Com certeza que se pode depois discutir se a oposição é feita ou não de um modo mais eficaz, ou de um modo mais correto, ou de um modo mais adequado. Mas também nos podemos interrogar sobre quem poderia ter, no quadro atualmente existente, melhores resultados na oposição.

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