Decidir ou não decidir

Pedro Santana Lopes

Decidir ou não decidir

O Presidente da República sabe que os chefes de estado têm de agir discretamente.
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Por Pedro Santana Lopes|22.12.17
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Disse o Presidente da República sobre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a participação no Montepio: não há decisão, não há problema.

Marcelo Rebelo de Sousa quis ser simpático e aliviar tensões. Ele sabe muito bem que, por vezes, há problemas mesmo antes de a decisão estar tomada. É o caso. Há uma grande inquietação com o anúncio da possível entrada da Santa Casa, com montantes muito significativos, no capital da Caixa Económica do Montepio Geral. Ora, há instituições cujo goodwill é, em boa medida, o seu bom nome, a sua respeitabilidade e a confiança que merecem. Quando fazem parte do património de uma Nação, como sua componente relevante, o significado e o peso das decisões que se tomam ou que se anunciam é ainda maior.

Por vezes, há quem tente diversificar ou inovar as áreas de atividade de uma entidade. Naturalmente, quem dirige fá-lo com a melhor intenção e, por isso mesmo, essas mudanças devem ser sempre bem analisadas, avaliadas, ponderadas. As instituições com maior riqueza histórica e com nobres fins estatutários, exigem, por natureza, que as opções que se tomam sejam fiéis à respetiva matriz. Podem ser estudadas hipóteses de trabalho, linhas de atuação, soluções que representem a procura de novas fontes de engrandecimento, todavia, o que tem de se garantir é que haja fundamento consistente e exista consenso alargado sobre esse novo caminho que se quer trilhar.

Há instituições que podem arriscar ruturas na sua identidade de objetivos, de imagem ou até com a compreensão da comunidade em que se inserem. Outras, não.

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