Aos heróis anónimos

Rui Hortelão

Aos heróis anónimos

Hugo Ribeiro foi grande, por Amália e muito mais.
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Por Rui Hortelão|05.12.16
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Hugo Ribeiro gostava de cantar, mas não é a voz que o leva à Valentim de Carvalho. No Chiado, faz amizade com Rui, o sobrinho do patrão. E, pouco depois, recebem Amália, para as primeiras gravações da fadista. O que acontece no 2º andar da loja Valentim de Carvalho muda a vida de todos. Amália dirá mais tarde: "O Hugo Ribeiro é que grava aquela que eu acho que é a minha voz, aquela que eu oiço". Elogio semelhante recebeu de Carlos Paredes. Conheciam-no como técnico de som, mas o miúdo algarvio não tinha qualquer formação para o ofício. O que sabia aprendera por gosto, a trabalhar. O resto era amor à profissão e aos que gravava. Colocava dois microfones diante de Amália, dizia-lhe que só um estava ligado e captava-lhe a voz com o outro. Quando Alfredo Marceneiro resistiu a gravar um LP por lhe faltar o ambiente das casas de fado, lembrou-se com Rui Valentim de Carvalho, de lhe vendar os olhos – e o disco fez-se. Dele ouvimos ainda António Calvário, Carlos Paião, Carlos do Carmo, Fernando Farinha, GNR, Hermínia Silva, Ivone Silva, João Villaret, Jorge Palma, José Cid, Marco Paulo, Max, Raul Solnado, Simone, Trovante e Zeca Afonso, entre muitos outros. Fora da indústria, Hugo Ribeiro nunca saiu do anonimato. Mas na sua morte, aos 91 anos, não há como deixar de lhe agradecer. A ele e aos que, todos os dias, fazem a diferença de forma discreta, tão contrária aos tempos de hoje.
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