Reféns da Saúde

Rui Hortelão

Reféns da Saúde

Estudantes recriaram remédio barato, mas de pouco valeu.
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Por Rui Hortelão|12.12.16
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Martin Shkreli tem 32 anos e fez fortuna nos mercados financeiros. Comprou os direitos do Daraprim – um medicamento para infeções, muito usado por seropositivos: no dia seguinte aumentou-o 5455%, de 13,50 para 750 dólares.

Choveram críticas, reclamou-se a intervenção do Estado e até Hillary Clinton prometeu ajudar se fosse eleita. Não foi, e também não teve o voto de Shkreli, que se orgulha de ter votado em Donald Trump.

Há dias, dois estudantes do 11º ano de uma escola secundária de Sydney, Austrália, recriaram o Daraprim e estão a vendê-lo a 1,8 euros por comprimido. Problema resolvido? Nada disso: em medicamentos aprovados antes dos anos 60, as autoridades norte-americanas obrigam os novos players a custear testes clínicos morosos e caros, proibindo ainda o consumo de medicamentos do exterior.

Mais um exemplo de que o maior inimigo dos consumidores nos alegados mercados livres na Saúde, nos EUA como na Europa, não são abutres como Shkreli, mas os sistemas que os protegem.

Como escreveu Derek Lowe, químico e cronista da Science, "nenhum mercado em que um fornecedor pode aumentar o preço da noite para o dia em 5000% só ‘porque eu posso’ é livre ou realmente um mercado".
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