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O conceito “Portela + 1”

Rui Moreira

O conceito “Portela + 1”

Trata-se de Aplicar o conceito “Portela + 1” abdicando de um grande aeroporto na OTA ou em Alcochete.
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Por Rui Moreira|15.01.17
O ministro Pedro Marques disse estar para breve uma solução para o Aeroporto de Lisboa. Mas deixou antever que a saturação da atual infraestrutura se resolverá pela adaptação da pista militar do Montijo ao tráfego de companhias low-cost. Trata-se de aplicar o conceito "Portela +1", abdicando da construção de um grande aeroporto na Ota ou em Alcochete. A ser assim, morrem, por várias décadas, ideias que consumiram milhões em estudos e projetos, que indicavam como solução o encerramento da Portela e a construção de um novo aeroporto no Oeste ou na Margem Sul.

A construção de um destes grandes aeroportos desequilibraria ainda mais o país e nem sequer serviria melhor Lisboa, onde a autarquia sempre se opôs à solução. E obrigaria a outros investimentos incomportáveis, como pesadas infraestruturas rodoviárias e ferroviárias. Com a solução "Portela +1", o país olha para si próprio com realismo, resolve o problema mais rapidamente e não sufoca outras infraestruturas aeroportuárias, como é o caso da que existe e cresce no Porto.

O que talvez não saiba é que a solução que agora está a ser ultimada pelo governo nasceu por iniciativa da Associação Comercial do Porto. Quando em 2007 o país centralista debatia sobre em que margem "jamais" deveria construir o seu megainvestimento, o Porto levou ao governo a solução que hoje, dez anos depois, está a ser preparada. O estudo, encomendado à Universidade Católica e à Trenmo pela associação a que então eu presidia, indicava também que a Portela suportaria o crescimento de tráfego pelo menos até 2017, como hoje é bem evidente, mas que então era negado.

Não me interessa tanto, aqui e agora, avaliar sobre como chegou a Portela à saturação. Interessa, sobretudo, realçar que o Porto, tantas vezes acusado de bairrismo, foi capaz de apresentar ao país, com competência e sem preconceito, uma solução equilibrada de investimento na capital. Uma solução que tinha em conta a realidade financeira e económica portuguesa, mas também a sua coesão territorial. Através de um estudo científico que nada custou ao contribuinte.

E esse Porto, que entende o país como um todo, é o mesmo que não pode deixar de reivindicar investimentos igualmente inevitáveis em infraestruturas fulcrais, como são o Porto de Leixões e, também, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Ambos precisam expandir-se a curto ou médio prazo e ambos servem o mesmo Portugal que servirá a base low-cost do Montijo.
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