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Progresso ou imobilismo?

Rui Moreira

Progresso ou imobilismo?

O Porto vive um momento interessante de desenvolvimento e otimismo. Há um ambiente favorável aos investidores.
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Por Rui Moreira|26.03.17
Esta semana partilhei na minha página de Facebook uma notícia de um jornal diário que, citando um estudo independente, afirmava que os investidores estão a voltar as atenções para a zona oriental do Porto e que a procura de espaços industriais está a crescer nas freguesias do Bonfim e Campanhã. Haverá vários fatores que justificam o interesse. Mas algum mérito caberá também ao discurso e atuação da atual Câmara Municipal em relação à zona oriental da cidade e aos investimentos que lá estão anunciados. É que o mercado é mesmo assim. Se dissermos que algo vai correr bem, então correrá melhor. Ao contrário, se dissermos todos os dias que vai correr pior, então aumentará a probabilidade de correr mesmo mal.

O Porto vive um momento interessante de desenvolvimento e otimismo. Existe um ambiente favorável aos investidores, criam-se todos os dias novos negócios e empregos e isso potencia o interesse de novos moradores. Porque há confiança. Mas esse sucesso chateia os bem instalados, os que, muitas vezes, à falta de concorrência, se conseguiram governar. Sobretudo, incomoda os Velhos do Restelo, incapazes, no passado ou no futuro, de fazer melhor. E assim, logo que se publica uma notícia como a que me referi, são disparadas críticas e proferidos os novos chavões do imobilismo. Se o investimento é na Baixa é porque se está a descaracterizar o tradicional e a criar pressão. Se é na zona ocidental, é porque queremos tudo na Foz, onde moram os ‘ricos’. Mas quando é em Campanhã, logo alguém dispara: "então e os escritórios da Baixa, ficam vazios?".

São os mesmos que, antes de eu chegar à Câmara, criticavam o meu antecessor pelas razões inversas e chamavam a atenção para a pré-ruína da Baixa, para a decadência de Campanhã, para o elitismo da Foz. E clamavam por gente no centro histórico e pelo turismo, criticavam os preços baixos do imobiliário que penalizavam os proprietários e choravam por serem tão baixos os preços do arrendamento e que isso travava a reabilitação. E travava, realmente! A reabilitação e preservação do património.

Sim, o Velho do Restelo tem essa face dupla. Não quer gente quando há gente e quer tudo baratinho quando o preço sobe. E quer o seu contrário, desde que tudo fique igual ou pior. E tem saudade de um Porto sujo, cinzento, vazio e perigoso. E também não quer ouvir falar de Campanhã e do Bonfim, onde, só por muito azar, terá alguma vez passado. Credo!

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