Remar contra a maré

Rui Moreira

Remar contra a maré

A estratégia, que custou mais de 300 milhões de euros, falhou quando ficou decidido portajar a CREP.
  • 0
  • 660
Por Rui Moreira|05.03.17
Alguns nós da Via de Cintura Interna (VCI), no Porto, registam um tráfego superior a 250 mil veículos por dia, calculando-se que perto de 200 mil que ali circulam não se destinam à cidade do Porto. Estes dados fazem daquela via a que tem maior densidade de trânsito em todo o país. Os efeitos destes números colocam ao Porto vários desafios. Desde logo, desafios ambientais, dada a pressão de emissões poluentes e de ruído que representam. Mas também de mobilidade, uma vez que as demoras provocadas pelos constrangimentos de trânsito na VCI contaminam toda a cidade. Ainda esta semana, um acidente com um pesado que simplesmente atravessava a cidade provocou consequências no Porto, em Vila Nova de Gaia e em Matosinhos.

Este problema, identificado há pelo menos duas décadas, levou à construção da chamada Circular Regional Exterior do Porto (CREP), que supostamente deveria absorver muito do trânsito de passagem em direção ao Norte e a Este, sem que precisasse entrar na VCI.

Mas a estratégia, que custou mais de 300 milhões de euros ao erário público, falhou catastroficamente, quando ficou decidido portajar a CREP, condenando--a a ser um enorme deserto de asfalto. Livre de portagem, a VCI continuará a acumular o trânsito de passagem de ligeiros, que alimentam uma região suburbana em expansão e uma cidade do Porto cada vez mais vibrante e atraente, mas também os pesados que se dirigem a Norte e servem o Porto de mar e o aeroporto.

O Porto e a Infraestruturas de Portugal estão a fazer um esforço de plantação de bosques junto dos nós da VCI para mitigar a enorme pegada ecológica da VCI. O estado e as autarquias, entre as quais a do Porto, preparam-se para investir no transporte público, através da construção de mais quilómetros de Metro e através da aquisição de uma nova frota da STCP mais ecológica. São medidas inteligentes e que permitirão melhorar o ambiente e a mobilidade. Mas serão pouco mais do que inglórias se a VCI continuar a servir como principal eixo rodoviário de passagem do Norte.

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)