Sempre Leal e Invicta

Rui Moreira

Sempre Leal e Invicta

Não é satisfeito que constato que os diretórios dos maiores partidos nada entenderam.
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Por Rui Moreira|14.05.17
Quando, na noite de 29 de setembro de 2013, terminei o meu discurso de vitória, recebi um coro de críticas. O establishment centralista não tinha gostado. Nem do discurso nem, provavelmente, do resultado.

Acreditei, então, que não tinha gostado do que eu disse por me ter dirigido aos que tentaram impedir, a partir de Lisboa, uma candidatura independente no Porto. Pôr o dedo na ferida nunca deu conforto a ninguém. Hoje percebo que o que incomodou não foi tanto a referência aos que tentaram condicionar os nossos apoiantes e a opinião pública. O que realmente deixou desnorteados os diretórios dos partidos foi ter-me referido à lição que o Porto deu ao País. Foi ter agitado, desde a Invicta, uma bandeira que se exibia com o vento incómodo do Norte. Foi ter dito que os partidos não têm estado bem e mostrado que, sendo o sal da democracia, tinham de mudar os seus velhos e novos hábitos.

Os dois maiores partidos portugueses, a quem foram infligidas, nesse dia, as suas piores derrotas de sempre no Porto, não entenderam uma realidade: que não fui eu nem um movimento independente que os tinham derrotado. Mas que tinham sido os portuenses, na sua liberdade, lealdade e nobreza a ditar a sentença. Os verdadeiros independentes foram os eleitores. O caminho para a reconquista do Porto não podia, por isso, voltar a passar pelos seus velhos e novos hábitos.

Ao PSD exigia-se que entendesse que o divisionismo calculista que o afastou do poder no Porto teria de dar lugar a um discurso agregador e construtivo, que esteve presente através dos seus representantes nos órgãos autárquicos mas ausente no diretório. Do PS esperava-se que, ao servir a cidade através de um acordo de governação que parecia um bom sinal, não cedesse à voracidade da máquina que lhe impunha o negócio e a mercearia. Não é satisfeito que constato que os diretórios dos maiores partidos nada entenderam. Correndo por fora, como optou fazer o PSD, ou correndo por dentro, como ensaiou fazer o PS, apenas tinham no horizonte o poder pelo poder e não um projeto que, admito, os seus autarcas no Porto procuraram sustentar.

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