Verdade e a política

Rui Pereira

Verdade e a política

A tendência para a mentira deriva do relativismo moral que rege a ação política.
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Por Rui Pereira|25.02.17
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Hannah Arendt, filósofa alemã de origem judaica, naturalizada norte-americana, que se celebrizou com o ensaio sobre a "banalidade do mal", deixou-nos um texto muito atual sobre "verdade e política".

A pergunta de partida, que a autora identifica como um lugar-comum mas também como uma verdade axiomática, é: por que razão a verdade e a política têm tão más relações?

Inspirada pela ontologia de Heidegger, Arendt defende que há factos sobre os quais a verdade e a mentira não são matéria de opinião: por exemplo, eu escrevi este artigo que os leitores mais indulgentes estão a ler. Trata-se de algo que ninguém pode mudar. Questão diversa é a emissão de um juízo de valor sobre o dito artigo, que encerra uma dose fatal de subjetividade.

Por que razão a política tem aversão à verdade quando estão em causa factos objetivos? Porque não se ocupa da essência ou da totalidade das coisas, mas apenas de uma sua aparência. Oliveira Salazar reconheceu- -o de forma lapidar, quando afirmou que "em política, o que parece é" e o trumpismo reiterou-o, agora, com a sofisticada teoria "quântica" das "verdades alternativas".

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