Tira essa roupa, amor

Sérgio Pereira Cardoso

Tira essa roupa, amor

Tirou as suas calças Throttleman e o seu casaco Marks & Spencer e experimentou as peças do dono da moradia
  • 0
  • 1
Por Sérgio Pereira Cardoso|28.08.16
  • partilhe
  • 1
  • 0

Quem me conhece sabe que sou um grande apreciador de letras de músicas populares portuguesas. Nunca consegui, por exemplo, ficar indiferente ao drama de Marante, que encontra a mulher numa boate falada, lugar de má fama, no seu ‘Som de Cristal’. Percebi a problemática agrícola lançada por Leonel Nunes - mas, que diabo, porque não tem talo o nabo? - e preocupou-me a queda que Quim Barreiros sofreu ao passear de mota com uma prima. Sorte que ela ficou apenas contusa.

Foi, precisamente, de um bonito tema de Quim Barreiros que me recordei ao conhecer a história real de um ladrão que assaltava casas em Lisboa e aproveitava para mudar de roupa, mantendo-se, assim, sempre na moda. Situemos o caso no tempo: início de fevereiro de 2014. Um cavalheiro de 30 anos fazia vida dos furtos em residências e, em dois dias seguidos, atacou em duas habitações da zona da Lapa. De uma delas, levou um relógio, uma caneta, um troféu, 30 euros em notas e vários azulejos datados dos séculos XVII e XVIII. Da outra, uma pequena bolsa e um computador MacBook Air.

O curioso é que numa dessas casas da rua Miguel Lúpi - a PSP preferiu não divulgar qual -, o larápio atualizou o seu estilo. "Tira essa roupa, amor, tira essa roupa, amor. Essa roupa não te fica nada bem." A letra de Barreiros terá inspirado o cadastrado, que reservou um tempo do assalto para uns fantásticos saldos. Tirou as suas calças Throttleman e o seu casaco Marks & Spencer e experimentou as peças do dono da moradia. "Espelho meu, espelho meu, há ladrão mais bonito do que eu?" Sim, é provável, mas o facto é que o homem ficou tão vaidoso que deixou mesmo na habitação assaltada as suas vestimentas antigas. Passado é passado.

Feitas as denúncias dos lesados, a polícia iniciou a investigação aos crimes, ambos executados com recurso a chaves falsas. Apesar de algo metrossexual, o larápio não era moderno o suficiente para perceber que o computador que havia roubado poderia ser localizado pelo sinal GPS. Assim foi. As coordenadas não davam margem para erro: o jovem estava num bar de alterne do Intendente - e Marante bem que avisa das possíveis surpresas nas boates. Acabou algemado quando tentava vender o MacBook por uma bagatela. Prontamente alegou inocência, mas esqueceu-se de um pormenor: ainda tinha vestidas as aquisições, a custo zero, na Lapa. Pois, agora, tira essa roupa, amor. Que ela tem dono.
Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)