Como é simples a felicidade

Tiago Rebelo

Como é simples a felicidade

A conversa prolongou-se por algumas horas, embora nenhum tivesse reparado no tempo a passar.
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Por Tiago Rebelo|21.06.15
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Ela adormece todos os dias a sonhar com ele, quando o telemóvel lhe escorrega das mãos a meio de uma mensagem que fica por enviar, ou de uma dele que não chega a ler. Já está deitada na cama e os olhos fecham-se, derrotados pelo cansaço. A conversa, interrompida por um sono sem sobressaltos, será retomada no dia seguinte no ponto onde ficou, e o fio das palavras é a sua vida ligada à dele.
Ele gosta de saber que ela tem todas as noites um último pensamento para si e que adormece a pensar no que lhe quer dizer, e escreve-lhe também uma última mensagem antes de adormecer.
Conheceram-se por acaso numa festa de um amigo em comum. Começaram a conversar a propósito de serem ambos solteiros. Ela reconheceu que desejava viver um amor eterno, mas, disse, encolhendo os ombros, é complicado, infelizmente ainda não encontrei o homem certo. Quis saber se ele procurava o mesmo. Sim, respondeu, encantado com ela. E, nesse instante, pensaram os dois o mesmo: que podiam estar perante a pessoa certa. A conversa prolongou-se por algumas horas, mais de duas, seguramente, embora nenhum deles tivesse reparado no tempo a passar. Finalmente, ela teve de se ir embora, uma partida precipitada pela boleia que estava de saída. Mas ele chamou-a no último instante e, antes que desaparecesse, pediu-lhe o número de telefone. Nos dias seguintes trocaram mensagens, centenas de mensagens na verdade. Não voltaram a ver-se, mas já se vão conhecendo pelas conversas que têm. Em breve, ela irá ao seu encontro, e, quando pensa nesse momento, antecipa-o com o entusiasmo de um bom pressentimento.
Já podiam ter-se encontrado mais cedo, evidentemente, mas ela resistiu, inventou desculpas, procrastinando para ter certezas, pois leva uma vida estonteante de trabalho, de obrigações, e, ao mesmo tempo, tem de se esquivar de muitas propostas imprevistas e inconvenientes. De modo que pesa sempre as armadilhas de um conhecimento novo. Às vezes, talvez seja um pouco excessiva na cautela, mas é o que é.
Ele sabe que tem de conquistar a sua confiança, sabe que é a  única forma de ela baixar as defesas e aceitá-lo, enfim, sem receios. Por isso, espera por ela, pacientemente.
Quando finalmente acontece, novamente na presença um do outro, ela pergunta-lhe muito séria se se lembra de lhe dizer que procurava o homem certo para um amor eterno. Sim, diz. És tu, não és? E a resposta dele fá-la sorrir, aliviada e surpreendida por ver como é simples afinal a felicidade. 
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