O jogo da sedução

Tiago Rebelo

O jogo da sedução

“Ela receia que, depois de a ter, ele se desinteresse e a esqueça. Mas ele está realmente apaixonado”
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Por Tiago Rebelo|05.07.15
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Ela faz rodar um pouco a saia, leva uma mão ao joelho e levanta o tecido só um pouco, distraidamente, como se fosse um gesto casual e inocente. Tal basta para que ele se renda aos seus encantos femininos. Ela sabe que ele a deseja, mas quer que ele a ame para sempre, por isso impõem--lhe obstáculos sucessivos de modo a obrigá-lo a lutar por si.

Ele convidou-a para sair, ela disse-lhe que não. Não disse que não queria, mas que não podia. Negou-se-lhe com pretextos falsos uma, duas, três vezes. Se ele a quisesse realmente, não desistiria, pensou, haveria de persistir até conseguir.

Por fim, ela aceita um convite para jantar. Ele leva-a a um restaurante agradável, com vista para o mar. Chegam cedo e ficam a ver o sol a desaparecer no horizonte de cores rubras. Ela pensa naquele cenário maravilhoso como um momento ideal que ficará indelével na história deles. Ele, encantado, só pensa em fazer tudo bem para a conquistar. Na verdade, ele já a conquistou, mas não está certo disso porque a incerteza é a arma dela para ele se apaixonar.

Ela receia que, depois de a ter, ele se desinteresse e a esqueça. Mas ele está realmente apaixonado e, quando a noite cai e se concentram um no outro como se fossem o centro do mundo, vai-se sentindo mais seguro, inspirado, eloquente e divertido.

Depois do jantar, ele segura a sua mão enquanto caminham para o carro e, antes de partirem, ela consente-lhe um beijo.

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